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Reservas internacionais e posição cambial dão conforto para BC atuar no câmbio, diz Serra

21/07/2020 19h13

Por Gabriel Ponte e José de Castro

BRASÍLIA (Reuters) - As reservas internacionais e a posição cambial líquida do Banco Central próximas de máximas históricas em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) dão à autoridade monetária conforto para seguir atuando no mercado de câmbio caso necessário, apontou o diretor de Política Monetária da autarquia, Bruno Serra.

Pelo conceito liquidez, as reservas cambiais estavam em 361,799 bilhões de dólares no dia 20, segundo dado mais atualizado.

Já a posição cambial líquida do BC --que desconta uso das reservas em instrumentos como linhas com recompra, empréstimos em moeda estrangeira e swaps cambiais, entre outros-- estava em 299,964 bilhões de dólares no último dia 10, conforme dado mais recente disponibilizado pelo BC.

Veja gráfico da apresentação de Serra, divulgada nesta terça-feira:

A autarquia não faz intervenções líquidas no mercado de câmbio desde o começo do mês, período em que a volatilidade cambial foi alvo de debates no mercado devido ao intenso vaivém nos preços do dólar.

O estoque de swaps cambiais do BC no mercado é de 56,988 bilhões de dólares. A última oferta líquida de swaps cambiais tradicionais --cuja colocação equivale à venda de dólares no mercado futuro-- ocorreu em 19 de maio, com venda de 500 milhões de dólares nesses contratos. Desde então, o BC tem se limitado a fazer operações de rolagem de swaps.

A mais recente liquidação de venda de dólar no mercado à vista aconteceu em 2 de julho, num total de 365 milhões de dólares. O BC liquidou no último dia 2 recompra de 2,550 bilhões de dólares referentes a linhas de dólares.

Sobre a volatilidade do real, Serra citou na apresentação aumento de negociações com minicontratos de dólar futuro. Segundo ele, em outros mercados o crescimento de volume nos minicontratos costuma aumentar liquidez e reduzir spreads de compra e venda.

"No mercado local de câmbio vem ocorrendo elevação coincidente da volatilidade da proporção dos minicontratos no volume total. Não necessariamente há relação de causalidade", disse ele na apresentação.

A volatilidade cambial diminuiu nos últimos pregões, mas segue mais alta quando comparada a níveis vistos em outros mercados emergentes.

Serra disse ainda que o menor diferencial de juros do Brasil em relação a outros mercados "traz desafios para a política cambial" e acrescentou que eventual ajuste futuro no grau de estímulo monetário "será residual".

A Selic --taxa básica de juros do país-- está em 2,25% ao ano. O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC se reúne novamente nos dias 4 e 5 de agosto para reavaliar a política monetária.

Ainda de acordo com o documento divulgado nesta terça, o diretor do BC mencionou que a incerteza em torno do tamanho do hiato do produto, bem como do ritmo de recuperação, segue acima do usual. Serra disse ainda que a "disparidade" entre setores da economia deve ser característica deste ciclo.