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Ucrânia limita saques em dinheiro, e fechamento de portos preocupa comércio

Hryvnia, a moeda nacional da Ucrânia, se desvalorizou em relação ao dólar americano - Konstantin Chernichkin/Illustration/File Photo/Reuters
Hryvnia, a moeda nacional da Ucrânia, se desvalorizou em relação ao dólar americano Imagem: Konstantin Chernichkin/Illustration/File Photo/Reuters

Natalia Zinets

Em Kiev (Ucrânia) e Moscou (Rússia)

24/02/2022 09h18Atualizada em 24/02/2022 14h30

O Banco Central da Ucrânia suspendeu saques em moeda estrangeira e limitou a quantidade de moeda local que as pessoas podem retirar de caixas eletrônicos hoje, depois que a invasão da Rússia derrubou ativos.

As medidas ocorreram no momento em que pessoas faziam fila para tentar obter dinheiro, água e comida em Kiev e outras cidades após o ataque da Rússia à Ucrânia por terra, ar e mar, o maior ataque de um Estado a outro na Europa desde Segunda Guerra Mundial.

Alguns títulos soberanos em dólar da Ucrânia caíram mais de 30 centavos de dólar, com muitos sendo negociados abaixo de 40 centavos, enquanto o Banco Central disse que fixou a taxa de câmbio oficial da hryvnia, a moeda local.

A hryvnia, que sofreu quedas de quase dois dígitos desde o início do ano, caiu quase 3% ontem, sendo negociada a 29,79 em relação ao dólar, o valor mais fraco dela desde o início de 2015.

Ativos em outros países que faziam parte da União Soviética, de Belarus à Ucrânia e a própria Rússia, sofreram grandes vendas.

Em um movimento para evitar a estabilidade do setor bancário, o Banco Central também proibiu transações cambiais transfronteiriças e saques em dinheiro de moeda estrangeira, e suspendeu as compras em moeda estrangeira no mercado interbancário, mantendo intocadas vendas não-hryvnia.

O presidente do Banco Central, Kyrylo Shevchenko, disse que o banco limitou os saques diários na moeda local a 100 mil hryvnias (cerca de R$ 17,1 mil) e suspendeu a recarga de carteiras eletrônicas.

O Banco Central afirmou que outras transações não monetárias não estão limitadas e os bancos podem obter empréstimos de refinanciamento de até um ano sem limite de valor.

Fechamento de portos

Os militares da Ucrânia suspenderam as operações em portos depois que forças russas invadiram o país por terra e mar, disse um assessor do chefe de gabinete do presidente hoje.

A medida chegou enquanto crescem as preocupações sobre o fluxo de suprimentos de um dos maiores exportadores mundiais de grãos e oleaginosas, que é a Ucrânia.

A Rússia havia suspendido anteriormente o movimento de navios comerciais no mar de Azov até novo aviso, mas manteve os portos russos no Mar Negro abertos para navegação, disseram autoridades e cinco fontes do setor de grãos.

"O mercado ainda está tentando obter uma imagem clara sobre a situação militar real no terreno. Os portos de Azov e do Mar Negro até agora parecem não ter sido danificados, de acordo com relatos iniciais da agência de navegação", disse um comerciante de grãos europeu.

"A próxima etapa que terá de ser enfrentada é qualquer declaração de força maior, se os navios simplesmente não puderem ser carregados e os contratos não puderem ser cumpridos", acrescentou o trader.

A Rússia, maior exportadora de trigo do mundo, embarca os próprios grãos principalmente por meio de portos no Mar Negro.

O mar de Azov abriga portos de águas rasas de menor capacidade.

Os portos marítimos de Azov exportam principalmente trigo, cevada e milho para importadores do Mediterrâneo, como Turquia, Itália, Chipre, Egito e Líbano.

"Esses países seriam obrigados a buscar suprimentos alternativos se os navios ficarem presos e não puderem partir em um futuro próximo", disse outro trader europeu.

A Rússia e a Ucrânia respondem por 29% das exportações globais de trigo, 19% do fornecimento mundial de milho e 80% das exportações mundiais de óleo de girassol.