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Credit Suisse tem outro prejuízo, mas descarta aumento de capital

27/04/2022 11h20

Por Brenna Hughes Neghaiwi

ZURIQUE, Suíça (Reuters) - O Credit Suisse registrou um novo prejuízo no primeiro trimestre deste ano e anunciou novas mudanças no comando nesta quarta-feira, mas planeja usar o capital existente para passar pelo período de transição, disse uma fonte familiarizada com o tema.

Ainda se recuperando de bilhões em perdas acumuladas em 2021, o quarto trimestre seguido do Credit Suisse no vermelho entre os últimos seis marca um abismo de desempenho cada vez maior entre o banco e seu maior rival UBS, que na véspera registrou o melhor primeiro trimestre em 15 anos.

Atingido por uma série de grandes eventos e uma extensa lista de casos legais, o Credit Suisse anunciou um prejuízo líquido de 273 milhões de francos suíços (283,6 milhões de dólares) no primeiro trimestre.

Analistas apontaram para a receita líquida como um dos principais motivos de preocupação.

"Claramente as tendências subjacentes dos negócios são... muito ruins", observaram os analistas do Citi, enquanto o analista da Moody's Alessandro Roccati disse que os resultados foram negativos, do ponto de vista de crédito, para os detentores de títulos.

Executivos do Credit Suisse disseram que o capital pode permanecer restrito nos próximos seis meses, já que o banco continua a fazer gastos significativos relacionados a compliance e risco. Mas o banco não tem planos para aumento de capital, disse uma fonte à Reuters.

"O primeiro trimestre foi marcado por condições de mercado voláteis e aversão ao risco do cliente. Essas condições, junto com o impacto de nossa redução no apetite ao risco em 2021, quando tomamos medidas decisivas para fortalecer nossa base geral de riscos e controles, tiveram impacto adverso em nossas receitas", disse o presidente-executivo Thomas Gottstein em comunicado.

O Credit Suisse anunciou que três de seus executivos mais antigos, incluindo o diretor financeiro David Mathers, estão deixando seus cargos. Depois disso, o conselho executivo do Credit Suisse será composto inteiramente por gerentes que assumiram suas funções atuais não antes de 2020.

O banco vem tentando reformar sua cultura de gestão de risco e virar a página em uma série de escândalos que provocaram várias mudanças na alta administração, saídas abruptas e investigações internas e externas.

O banco disse que elevou as provisões legais em 703 milhões de francos no trimestre, o que influenciou no fraco resultado. O grupo havia alertado na semana passada que o trimestre traria um prejuízo, que acabou sendo mais acentuado do que as perdas de 252 milhões de francos no mesmo período do ano passado.

O Credit Suisse disse que seu principal negócio de gestão de patrimônio registrou captação de 4,8 bilhões de francos suíços no primeiro trimestre, impulsionado principalmente por clientes ultrarricos na Suíça.

As receitas do negócio, porém, caíram 44%, diante da desaceleração na parceria com a 'Global Trading Solutions' - área que o banco está buscando crescer sob sua nova estratégia -, bem como menor corretagem e taxas do produto.

O Credit Suisse anunciou planos em novembro para limitar a equipe na área de banco de investimento e sair de serviços prime, negócio responsável por uma perda de bilhões de dólares após o colapso da empresa de investimentos americana Archegos em março de 2021.

O Credit reduziu o capital alocado ao banco de investimento em 2,5 bilhões de dólares desde o final de 2020 e continua no caminho para liberar mais de 3 bilhões até 2022.

Juntamente com uma queda acentuada nas receitas de mercado de capitais observada por outros concorrentes, o Credit Suisse registrou queda de 47% nas vendas de ações e receitas de negociação, enquanto os negócios de renda fixa caíram 50%.

(Por Brenna Hughes Neghaiwi)