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IPCA: inflação sobe menos do que o esperado em maio com queda nas contas de energia

IPCA ficou em 0,47% em maio, informou hoje o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) - iStock
IPCA ficou em 0,47% em maio, informou hoje o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) Imagem: iStock

Camila Moreira

São Paulo

09/06/2022 09h59

A alta dos preços no Brasil ficou abaixo das expectativas em maio, com alívio na inflação de alimentos e de combustíveis e queda nas contas de energia, voltando a ficar abaixo de 12% em 12 meses, embora ainda esteja mais de duas vezes acima da meta.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou a alta a 0,47% em maio, de 1,06% em abril, marcando a taxa mensal mais baixa desde abril de 2021 (+0,31%).

A leitura divulgada nesta quinta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) ficou abaixo da expectativa em pesquisa da Reuters de alta de 0,60%.

Esse resultado levou a inflação em 12 meses a acumular alta de 11,73%, contra 12,13% no mês anterior e projeção de 11,84%.

Ainda assim, isso representa mais de duas vezes o teto da meta oficial para a inflação este ano, que é de 3,5%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Na busca pelo controle da inflação, o Banco Central vem apertando a política monetária. No entanto, ainda há pressões inflacionárias derivadas do cenário internacional, com lockdowns na China e sanções contra a Rússia devido à guerra na Ucrânia.

Em maio, os preços de alimentos e bebidas tiveram alta de 0,48% depois de subirem 2,06% em abril. Houve quedas expressivas em produtos como tomate (-23,72%), cenoura (-24,07%) e batata-inglesa (-3,94%).

"Agora começamos o período de outono-inverno que é mais seco e permite aumentar a oferta de alimentos e reduzir os preços", e explicou o gerente do IPCA, Pedro Kislanov.

A pressão dos combustíveis também foi menor, com os preços subindo 1,0% no mês depois de dispararem 3,20% em abril, após altas expressivas nos preços das refinarias em março que foram repassadas ao consumidor. O destaque foi a gasolina, que subiu 0,92% em maio depois de alta de 2,48% no mês anterior.

Apesar disso, o grupo Transportes ainda subiu 1,34% em maio, pressionado principalmente pelo aumento de 18,33% nos custos das passagens aéreas.

O único grupo que registrou queda de preços em maio foi Habitação, de 1,70%, devido à redução de 7,95% nas contas de energia com a mudança de bandeira tarifária.

O Banco Central já elevou a taxa básica de juros Selic a 12,75%, e reconheceu que há uma deterioração na dinâmica inflacionária do Brasil. Novos aumentos da Selic este ano são esperados e o BC volta a se reunir em meados de junho para reavaliar a política monetária.

Uma política monetária mais apertada tende a moderar os gastos dos consumidores e, consequentemente, conter a alta dos preços, mas por outro lado restringe a atividade econômica.