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Ibovespa cai com Vale e exterior; bancos sobem após balanço do Santander Brasil

25/04/2023 17h08

Por Andre Romani

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa encerrou em queda nesta terça-feira, novamente pressionado por Vale e diante de um cenário de maior aversão ao risco em Wall Street.

A Vale e a Gerdau foram as principais influências negativas ao índice, enquanto Bradesco e Itaú Unibanco ficaram na ponta oposta, em dia positivo para bancos privados após balanço do Santander Brasil.

O Ibovespa caiu 0,70%, a 103.220,09 pontos. O volume financeiro somou 20,5 bilhões de reais.

Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, atribuiu à queda do Ibovespa em especial ao recuo de Vale e siderúrgicas após nova desvalorização do preço do minério de ferro, bem como ao desempenho dos índices acionários internacionais.

Os principais índices em Nova York cederam entre 1% e 2%, uma vez que balanços mais fracos, incluindo da United Parcel Service, elevaram as preocupações sobre uma desaceleração econômica, enquanto o forte recuo nas ações do First Republic Bank adicionou algum nervosismo sobre a saúde do setor bancário.

Agentes financeiros também aguardavam pelo índice de inflação PCE, na sexta-feira, e leitura de atividade econômica dos Estados Unidos, na quinta-feira, em busca de mais pistas sobre o patamar de juros dos EUA nos próximos meses. O mercado precifica uma elevação de 0,25 ponto percentual pelo Federal Reserve (Fed) na próxima reunião de política monetária, semana que vem, mas há incerteza sobre o tom a ser adotado pelo banco central norte-americano para os passos seguintes.

Localmente, enquanto aguardam por mais detalhes sobre a tramitação do arcabouço fiscal no Congresso, investidores acompanharam as declarações do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em audiência no Senado.

Campos Neto afirmou não ter capacidade de dizer quando a queda de juros vai acontecer, "porque eu sou um voto de nove, mas eu acho que a gente tem explicado que é um processo técnico que tem seu tempo e as coisas têm caminhado no caminho certo".

Para Cruz, da RB, as declarações do presidente do BC diminuíram a expectativa de algum movimento na Selic neste semestre. "Nós temos aqui (que ocorrerá) em agosto", afirmou o estrategista, acrescentando que, em sua visão, parte do mercado esperava uma sinalização do BC semana que vem sobre um potencial corte na taxa em junho.

DESTAQUES

- SANTANDER BRASIL UNIT subiu 0,73%, a 26,56 reais, após o banco registrar lucro líquido de 2,14 bilhões de reais no primeiro trimestre, 46,6% abaixo do resultado obtido um ano antes, mas acima do esperado. O índice de inadimplência acima de 90 dias encerrou março em 3,2% ante 2,9% em igual período do ano anterior e 3,1% no quarto trimestre do ano passado, enquanto a carteira de crédito ampliada cresceu 12,3%, na base anual, para 586,35 bilhões de reais. Rivais ITAÚ UNIBANCO PN e BRADESCO PN avançaram 0,91% e 2,24%, respectivamente.

- BRASKEM PNA teve alta de 4,97%, a 19,43 reais, em meio a um noticiário agitado sobre a empresa. A Apollo pediu autorização a seu conselho para seguir adiante com a "due diligence" de uma potencial compra de ações da petroquímica, disse o jornal Valor Econômico, citando fontes próximas das negociações. Além isso, a Braskem afirmou em documento regulatório que obteve a suspensão do bloqueio de 1,1 bilhão de reais que havia sido determinado pela Justiça de Alagoas na semana passada.

- CVC BRASIL ON recuou 4,81%, a 2,77 reais, após renúncia do diretor financeiro Marcelo Kopel. O presidente-executivo, Leonel Andrade, acumulará a função interinamente, segundo a empresa.

- PETROBRAS PN caiu 0,4%, a 27,09 reais, diante da queda de 2,4% do petróleo Brent no exterior devido ao fortalecimento do dólar e preocupações sobre desacelaração econômica.

- CARREFOUR BRASIL ON diminuiu 0,66%, a 10,6 reais, após divulgação na véspera do relatório de vendas do primeiro trimestre. O grupo supermercadista registrou vendas consolidadas de 27,1 bilhões no período, um aumento de 30,7% em relação a igual etapa do ano anterior.

- SEQUOIA ON, que não está no Ibovespa, caiu 10,11%, a 1,6 real, após anunciar um aumento de capital de entre 50 milhões de reais e 100 milhões de reais, a 1,50 real cada papel. A empresa disse que os recursos serão usados para preservação da estrutura de capital e da posição de caixa, além de necessidades de capital de giro.