Conteúdo publicado há 10 meses

Ações da Petrobras sobem após anúncio de nova política de dividendos

As ações da Petrobras subiam nesta segunda-feira após a companhia divulgar sua nova política de dividendos, uma vez que analistas já esperavam uma redução no valor a ser distribuído aos acionistas, e viram como positivo a manutenção de características da fórmula anterior.

Às 14:28 (de Brasília), as ações PN de Petrobras subiam 3,73%, a 30,87 reais, enquanto os papéis ON avançavam 4,54%, impulsionando o Ibovespa para alta de 1,26%. O petróleo Brent operava em alta de cerca de 0,6% na sessão.

A petrolífera estatal disse na sexta-feira que reduzirá o pagamento de dividendos trimestrais para pelo menos 45% de seu fluxo de caixa livre, abaixo dos atuais 60%. Os proventos serão distribuídos quando a dívida bruta da empresa estiver abaixo de 65 bilhões de dólares, valor que pode variar de acordo com o plano estratégico em vigor.

A nova política, que já está valendo, também permitirá que a empresa recompre ações e manterá a possibilidade de declaração de dividendos extraordinários, ou seja, acima do mínimo.

Por ano, fica estabelecida uma remuneração mínima aos acionistas de 4 bilhões de dólares para exercícios em que o preço médio do Brent for superior a 40 dólares o barril.

Regis Cardoso e Henrique Simões, analistas do Credit Suisse, escreveram, em relatório a clientes, que a nova política não traz "nenhuma revolução", o que "é uma boa notícia". Eles acrescentaram que com a política a empresa mantém o alinhamento de interesses entre os acionistas e o governo.

Analistas do JPMorgan liderados por Rodolfo Angele destacaram, em relatório, que dois aspectos "muito importantes da política" foram mantidos: a distribuição de dividendos em base trimestral e o fluxo de caixa livre como base do cálculo.

Além disso, eles disseram que a redução de dividendos já era esperada, é modesta e sustenta a visão positiva sobre a remuneração aos acionistas pela companhia.

Já Pedro Soares e Thiago Duarte, do BTG Pactual, descreveram o anúncio como "não tão ruim quanto se temia, mas não tão bom quanto se esperava".

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A equipe do BTG escreveu que, embora já fosse esperada uma redução não tão grande no percentual de dividendos, a política de 45% do fluxo de caixa livre é "um evento de redução de risco". Do outro lado, porém, os analistas listaram fatores de subjetividade nas medidas anunciadas, como a inclusão de aquisições de participações societárias no cálculo de investimentos.

O fluxo de caixa livre é formado pelo fluxo de caixa operacional menos os investimentos, que, por sua vez, conforme anúncio da Petrobras, a partir de agora incluirão as aquisições de participações societárias em companhias.

Para a equipe do BTG, essa mudança "diminuirá a capacidade de o mercado avaliar adequadamente os níveis de investimento de curto prazo da empresa em meio discussões sobre o retorno aos setores petroquímico e de distribuição de combustíveis."

Os analistas do JPMorgan, porém, mostraram visão mais positiva sobre o assunto. "Trata-se de um ajuste justo que visa proteger o balanço da empresa em caso de aquisição. De qualquer forma, comemoramos uma fórmula direta que forneça previsibilidade aos investidores".

Monique Greco e equipe, analistas do Itaú BBA, escreveram que a inclusão desse tópico na linha de investimentos pode ser "uma insinuação de que a empresa pretende expandir seu plano de investimentos de forma inorgânica, por meio de aquisições e parcerias, além do crescimento orgânico por meio de projetos de capital".

RECOMPRA

A possibilidade de recompra de ações também foi alvo de comentários dos analistas, embora eles destaquem que ainda existem diversas incertezas sobre o assunto.

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A Petrobras anunciou que agora poderá também remunerar os acionistas por meio de recompras de ações, com os valores dos potenciais programas sendo inclusos no cálculo de dividendos mínimos.

Para Rodrigo Almeida e Eduardo Muniz, analistas do Santander, ainda que nenhum sinal tenha sido dado sobre qual classe de ação da Petrobras poderia ser recomprada em um eventual programa — as ONs ou PNs —, "acreditamos que as ações preferenciais provavelmente seriam o alvo —já que o governo possui mais ações ordinárias—, em última análise, ajudando a conter a volatilidade dos papéis".

A equipe do BTG Pactual escreveu que a incerteza quanto a uma potencial recompra que priorize ações ordinárias — que dão direito a voto — "pode diminuir o apelo do programa, uma vez que esperamos uma resposta negativa do mercado a qualquer aumento da participação do governo na Petrobras".

O relatório do BTG ainda destaca vantagens limitadas de um programa de recompra, à medida que, na visão dos analistas, eles são usados por diversas petrolíferas internacionais como forma de fornecer vantagens fiscais aos acionistas, enquanto, no Brasil, os dividendos, por ora, já são isentos de tributação.

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