Dólar vira na reta final da sessão e sobe no Brasil após decisão do Fed sobre juros

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar à vista fechou a quarta-feira em leve alta ante o real, em sintonia com o exterior, onde a divisa norte-americana manteve-se em baixa durante a maior parte da sessão, mas virou para o positivo no fim da tarde após a decisão de política monetária do Federal Reserve, e com investidores à espera do anúncio do Banco Central sobre a taxa básica Selic.

O dólar à vista fechou o dia cotado a 4,8804 reais na venda, com alta de 0,16%.

Na B3, às 17:12 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,21%, a 4,8865 reais.

O dólar à vista oscilou em margens bastante estreitas no Brasil até as 15h, com investidores evitando alterar posições antes da decisão do Fed sobre juros. Mas o viés para a moeda norte-americana era negativo ante o real, com o mercado acompanhando o movimento visto no exterior.

Às 15h, o Fed anunciou a manutenção de sua taxa básica na faixa de 5,25% a 5,50%, como era largamente esperado pelo mercado, mas adotou uma postura dura, com uma projeção de novo aumento de juros até o fim de 2023 e manutenção de uma política monetária mais apertada durante 2024.

Assim como fizeram em junho, as autoridades do Fed ainda veem a taxa de juros de referência atingindo o pico este ano na faixa de 5,50% a 5,75%, de acordo com a mediana das projeções, apenas 0,25 ponto percentual acima da faixa atual. A partir daí, as projeções trimestrais atualizadas do Fed mostram que os juros cairão apenas 0,5 ponto percentual em 2024, em comparação com um ponto percentual total de cortes previsto na reunião de junho.

A decisão do Fed e, em especial, as projeções para os juros deram força ao dólar em todo o mundo.

O índice do dólar, que cedia desde cedo, virou para o positivo após o anúncio da autoridade monetária. No Brasil, o dólar à vista, que havia marcado a cotação mínima de 4,8419 reais (-0,63%) às 10h44, recuperou parte do fôlego após a decisão do Fed. Na última hora de negócios, a moeda à vista migrou para o terreno positivo após o índice do dólar também se firmar em alta no exterior.

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Passado o anúncio do Fed, os investidores aguardavam no fim da tarde pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. A expectativa majoritária era de corte de 0,50 ponto percentual da taxa básica Selic, de 13,25% para 12,75% ao ano, mas o mercado espera por pistas sobre os próximos passos do colegiado.

A principal dúvida é se o BC vai eventualmente sinalizar a possibilidade de aceleração do ritmo de cortes da Selic, para 0,75 ponto percentual, nos encontros do Copom de novembro e dezembro.

Entre os investidores, a questão é tratada de forma matemática: juros mais elevados nos EUA -- uma possibilidade mantida na decisão desta quarta-feira do Fed -- e juros mais baixos no Brasil significam menos recursos entrando no mercado brasileiro. No limite, isso é um fator de alta para o dólar ante o real.

Para o economista-chefe do Banco Master, Paulo Gala, a decisão desta quarta-feira do Fed não altera muito o plano de voo do Copom.

“A questão de os dirigentes do Fed mencionarem que mais um aumento de juros ainda é possível é relevante. Mas não acho que é uma mudança de cenário”, afirmou Gala.

“Para o Brasil, estão dados os cortes de meio ponto percentual da Selic nas próximas reuniões. A grande discussão é o nível terminal na Selic”, acrescentou.

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No exterior, no fim da tarde o dólar se mantinha em leve alta ante divisas fortes, tendo também passado a subir ante boa parte das moedas de emergentes ou exportadores de commodities.

Às 17:12 (de Brasília), o índice do dólar --que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas-- subia 0,28%, a 105,410.

À tarde, o BC informou que o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de 1,148 bilhão de dólares em setembro até o dia 15, em movimento puxado tanto pela via financeira quanto pela comercial.

Pela manhã, o BC vendeu todos os 16.000 contratos de swap cambial tradicional ofertados na rolagem dos vencimentos de novembro.

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