Embraer tenta convencer cias aéreas dos EUA que jatos E2 são "small narrow-body"

Por Gabriel Araujo

SÃO PAULO (Reuters) - A Embraer tem buscado convencer as companhias aéreas norte-americanas sobre os méritos do jato E195-E2 como um "small narrow-body", mesmo que a demanda em seu principal mercado se mantenha concentrada no modelo de geração anterior E175-E1.

A terceira maior fabricante de aeronaves do mundo, depois de Boeing e Airbus, recebeu 23 novas encomendas de jatos E175-E1 das companhias aéreas norte-americanas American Airlines e SkyWest no terceiro trimestre, mas também vê espaço para sua aeronave de segunda geração.

"É um avião que pode muito bem complementar a operação dos narrow-body grandes", disse o presidente-executivo da Embraer, Francisco Gomes Neto, em entrevista.

O E195-E2 acomoda até 146 passageiros, enquanto o E175-E1 tem até 88 assentos.

Entrar no mercado dos EUA com a linha E2 seria um passo importante à fabricante para melhorar seu mix de produção, que neste ano deverá mostrar pela primeira vez mais jatos de segunda geração sendo entregues do que os de primeira geração.

Gomes Neto disse esperar que novos voos da canadense Porter Airlines para cidades como San Francisco e Tampa ajudem a apresentar a aeronave às companhias aéreas dos EUA. A empresa canadense encomendou dezenas de aviões da Embraer desde 2021, tornando-se a primeira cliente do E2 na América do Norte.

"A gente está animado, porque acha que vai conseguir convencê-los de que o E195-E2 não é um avião regional, mas que pode operar nas 'majors' de uma forma muito eficiente, ajudando elas a oferecerem uma frequência maior de voos durante o dia, explorar rotas, abrir rotas", disse Gomes Neto. "A gente acha que tem uma oportunidade enorme (nos EUA)."

O executivo mencionou a KLM e a Azul como companhias aéreas que tiveram sucesso na operação tanto do E195-E2 quanto de jatos maiores, como o Airbus A320. A companhia aérea holandesa também atua com o E175.

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"O E2 é um avião muito eficiente. Quando voa com o avião com 80% de ocupação, é lucrativo, muito lucrativo, então a gente está trazendo esse ponto cada vez mais forte agora também para as 'majors' dos EUA."

Isso não significa, no entanto, que a demanda pelo E175-E1 necessariamente diminuiria, observou o executivo, acrescentando que a empresa prevê demanda de pelo menos 300 aeronaves nos próximos dez anos.

À medida que a recente escassez de pilotos nos EUA diminui, Gomes Neto disse que os operadores do E175-E1, os quais a Embraer chamou de espinha dorsal do mercado de aviação regional dos EUA, tenderão a renovar suas frotas.

"O avião (E175-E1) é versátil, atende muito bem aquela demanda da aviação regional", disse o executivo. "A gente espera sim uma demanda muito boa, pelo menos de uns 300 aviões nos próximos 10 anos do E1, mas nós estamos trabalhando já para convencer as linhas aéreas sobre o potencial do E2."

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