Braskem vê bom indicativo de acomodação do solo em mina em Maceió, mas resultado é incerto

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente-executivo da Braskem, Roberto Bischoff, disse nesta segunda-feira que existem "bons indicativos" de acomodação do solo em área de mina com risco de colapso em Maceió, no Estado de Alagoas, mas ressaltou que não é possível afirmar qual será o desfecho.

"O resultado, se será uma acomodação de terreno de forma mais gradual, ou pode acontecer de uma forma abrupta, a gente não pode afirmar ainda", disse, em evento da indústria química, em São Paulo. "O que temos são bons indicativos de que o solo vem se acomodando dia a dia de forma melhor."

A Defesa Civil afirmou em nota nesta segunda-feira que permanece em "alerta máximo" e cita "risco iminente de colapso" da mina 18 de sal-gema da Braskem, no bairro de Mutange.

A atividade de extração de sal sob Maceió vinha sendo realizada desde os anos de 1970, mas foi interrompida em 2019 após bairros da cidade passarem a registrar rachaduras em ruas e em edifícios diante da movimentação de enormes cavidades criadas com a mineração. O procedimento de fechamento de minas, no entanto, ainda está em andamento.

Na semana passada, o ministro dos Transportes, Renan Filho, que é alagoano e foi governador do Estado de 2015 a 2022, afirmou que a Braskem precisa apressar os trabalhos de preenchimento de minas de extração de sal, reforçando o coro de autoridades que culpam a empresa pelo afundamento de solo que impactou cinco bairros do município.

Também há movimentações no Congresso para abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) relacionada aos efeitos da atividade da companhia em Maceió.

Bischoff, que participou do Encontro Anual da Indústria Química, disse, durante painel, que informações sobre o caso foram distorcidas por questões políticas. "Infelizmente, entra em alguma discussão política, que é quando a gente acaba tendo informações distorcidas", afirmou.

Desde o início da crise, a companhia reservou 14,4 bilhões de reais para compensação de moradores e entes públicos, além dos trabalhos para estabilização das minas.

Na bolsa paulista, as ações da Braskem recuavam pelo terceiro pregão seguido, negociadas por volta das 11:55 com queda de 0,44%, a 17,93 reais. Mais cedo, na mínima do dia até o momento, chegaram a 17,26 reais.

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(Por André Romani)

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