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Brasil: caos econômico pode levar a maior radicalização de Bolsonaro, diz analista

15.set.2021 - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante evento no Palácio do Planalto, em Brasília - Adriano Machado/Reuters
15.set.2021 - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante evento no Palácio do Planalto, em Brasília Imagem: Adriano Machado/Reuters

Da RFI

17/09/2021 13h55Atualizada em 17/09/2021 16h52

No Brasil, a economia está em pleno processo de desaceleração e o aumento da inflação coloca em risco o legado do Plano Real. O presidente Jair Bolsonaro poderá resistir no cargo e ser reeleito com a derrocada do poder de compra dos brasileiros? Daniela Campello, professora da FGV (Fundação Getúlio Vargas) e doutora em Ciência Política pela UCLA (Universidade da Califórnia, em Los Angeles), acredita que o presidente evitará o impeachment, não será reeleito, mas pode radicalizar ainda mais.

Para a especialista, o cenário econômico para 2022 é mais do que pessimista. "O que parecia prevalecer há cerca de um mês atrás era um cenário em que a demanda de commodities continuaria muito alta, com alta taxa de crescimento da China", explica. "Esse aspecto somado à alta dos preços", diz, "criava uma maior perspectiva de crescimento e de receita fiscal para o governo".

"Houve uma reversão da expectativa desse cenário. A China desacelerou, os preços das commodities parece que chegaram a um teto, e isso para o Brasil é muito ruim", afirma. "Todas as perspectivas positivas deixam de ser uma possibilidade para o ano que vem, que, na minha opinião será muito pesado, com a inflação que já vem se configurando", analisa.

Daniela Campello também cita o problema da questão energética. "Se houvesse um crescimento mais forte, haveria um apagão, não havendo, é ruim para o Bolsonaro também. Todos os indicadores são de uma perda muito grande de poder e de apoio. Os 21% que o Bolsonaro tem hoje de intenções de voto não vão chegar a 2022 por conta desse caos", afirma.

A professora da Fundação Getúlio Vargas acredita que Bolsonaro tem potencial para radicalizar ainda mais. "O que me preocupa é que, quanto menor a chance de Bolsonaro permanecer por via eleitoral, maiores são os incentivos para que ele tente permanecer por via de alguma ruptura. Minha preocupação é enorme e o próximo governo vai herdar, do ponto de vista da economia, um país muito desarranjado, e do ponto de vista político um país muito descrente de sua democracia. Do ponto de vista internacional, o país está alijado de qualquer tema internacional relevante. Vai ser realmente um trabalho de reconstrução", prevê.

Eleições

Para ela, a terceira via eleitoral, que surgiria como uma alternativa ao PT e a Bolsonaro nas eleições de 2022, dificilmente vai se concretizar. "É uma fantasia de analistas. Bolsonaro ainda tem o que se desgastar até as eleições de 2022, com o desastre anunciado que vai ser o próximo ano em termos de economia. Ele tem muito a perder ainda, mas, seria muito surpreendente que num sistema presidencialista, com todo o poder que um presidente tem, e todos os recursos a seu favor, que não vá para o segundo turno", declara.

"O Lula também me parece bastante consolidado no eleitorado da esquerda. Neste sentido, existe pouco espaço eleitoral e existe uma multiplicidade de candidatos. Se houvesse algum tipo de acordo ou de concertação, acredito que as chances seriam maiores, mas não sei se esse acordo vai acontecer", analisa. A especialista acredita que Bolsonaro tenha poucas chances de vencer o pleito, mesmo indo para o segundo turno e evitando o impeachment. "Ao mesmo tempo, não tenho muita certeza se ele vai esperar a via eleitoral. Ele anda esticando a corda da democracia e vai continuar nessa dinâmica até 2022."

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