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Dólar tem mais forte série de altas do ano e flerta com R$ 3,20

O mercado de câmbio cravou duas marcas nesta quinta-feira, novo dia de firme alta do dólar frente a divisas emergentes. A moeda americana flertou com R$ 3,20, fechando no maior patamar em sete semanas. Desde ontem, a alta acumulada é de 2,45%, a mais forte para um conjunto de dois dias desde dezembro de 2016.


No encerramento do mercado interbancário, o dólar subiu 0,84%, a R$ 3,1950, após alcançar R$ 3,1975. No mercado futuro, em que os negócios vão até as 18h15, o dólar para abril tinha alta de 0,94%, a R$ 3,2135.


O real acumula baixa de 2,55% nesta semana, segundo pior desempenho numa lista de 33 divisas globais. No mês, a moeda brasileira cai 2,59%, quarta pior performance.


O desmonte de posições favoráveis ao real se deu em mais um dia de deterioração de ativos emergentes. Em conjunto, as moedas emergentes já têm a pior sequência de dois dias desde os dias seguintes à eleição de Donald Trump à Presidência dos EUA, período de forte pressão sobre mercados de risco como um todo.


Esse movimento está diretamente relacionado aos temores de juros mais altos nos EUA. Teoricamente, taxas mais elevadas na maior economia do mundo tendem a reduzir volumes de capital para mercados emergentes, que de forma geral ainda são dependentes de financiamento externo. Na Bolsa Mercantil de Chicago (CME, na sigla em inglês), a probabilidade implícita de alta de 0,25 ponto percentual do juro básico americano na semana que vem sobe a 90,8%, ante 88,6 ontem.


Ao mesmo tempo, o juro do Treasury de dois anos, mais sensível às expectativas para a política monetária americana, renovou uma máxima em sete anos e meio.


Receios em torno de ajuste em impostos de fronteira nos EUA também começam a afetar os mercados. Estrategistas do BofA calculam que uma elevação da tarifa de fronteira para 20% teria potencial para depreciar moedas emergentes em 11%, em média. O valor "justo" para o real, nas contas dos profissionais, cairia mais de 10%.


Em estudo, os estrategistas consideram que o Brasil é o segundo país que mais seria atingido por um rali global de 25% do dólar caso o governo de Donald Trump aprove elevação de tarifas de impostos de fronteira (Border Adjustment Tax-BAT). O país também está entre os mercados mais sensíveis a mudanças na dinâmica da dívida corporativa.

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