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Incerteza com reforma, 'lista de Janot e petróleo derrubam Ibovespa

Uma série de incertezas azedou o humor dos investidores hoje. O possível adiamento da reforma da previdência, a "lista de Janot", a véspera da reunião do Fed, e a queda na cotação do petróleo fizeram com que o Ibovespa recuasse 1,27% aos 64.699 pontos. O giro financeiro ficou em R$ 5,7 bilhões.


O jornalista Raymundo Costa, do Valor, informou que em vez de abril, prazo inicialmente previsto para votar a reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, o governo Michel Temer agora trabalha com uma data próxima ao dia 9 de maio no cálculo mais otimista. Essa mudança não agrada aos investidores que esperam que as reformas ajudem a diminuir o déficit fiscal e contribuam para a retomada do crescimento econômico.


Também circularam rumores entre as mesas de operação de que as delações da Odebrecht chegariam hoje ao Supremo Tribunal Federal (STF) e poderiam envolver grande parte dos ministros e da base aliada de Temer, o que dificultaria ainda mais a aprovação das reformas estruturais.


Amanhã, o Fed deve anunciar a elevação dos juros americanos. Além dessa possível alta, os investidores esperam mais duas elevações dos juros até o final deste ano. A presidente do Fed, Janet Yellen, deve falar logo após o fim da reunião. Os investidores vão estar atentos ao discurso para tentar identificar se há chance de uma quarta alta dos juros neste ano, o que não seria favorável ao investimento em renda variável.


Somada a essas apreensões, a queda no preço do petróleo ajudou a colocar o Ibovespa em terreno negativo. O contrato futuro de petróleo WTI para abriu fechou com queda de 1,4% a US$ 47,72 o barril. A baixa do petróleo foi acentuada após a divulgação de um relatório da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) apontou que a produção por países de fora do grupo pode subir em até 400 mil barris diários, vindos em grande parte da produção de petróleo de xisto dos Estados Unidos e de areias betuminosas do Canadá. Em relatório anterior, a projeção era de uma possível alta de 160 mil barris diários.


Aqui, as ações da Petrobras fecharam com forte queda. Os papéis preferenciais caíram 5,43% e as ações ordinárias tiveram baixa de 3,75%. Como os papéis representam 10,5% da composição do Ibovespa, o desempenho negativo ajudou a derrubar o índice da bolsa de valores.


As ações da Vale começaram o dia em baixa, mas depois inverteram o movimento com a informação de que os acionistas da empresa iriam se reunir com o fundo Capital Group, dono de 18% das ações preferenciais da mineradora. O fundo não concorda com o valor de troca proposto para a conversão das ações preferenciais em ordinárias no novo acordo de acionistas anunciado em fevereiro. A proposta era realizar a conversão de papéis na proporção de 0,9342 ação ordinária por 1 ação preferencial da classe A. Os papéis ordinários subiram 0,52% e Vale PNA subiu 1,06%.


Apesar da queda do Ibovespa, os estrategistas Alan Alanis e Sambuddha Ray, do UBS, consideram que a bolsa brasileira é a mais atraente para o investidor entre os mercados da América Latina, emergentes e o resto do mundo. Os analistas recomendam a compra de ações do Ibovespa. Eles avaliam que o setor financeiro está atrativo em relação ao Ibovespa. "Nós recomendamos Itaú", escreveram em relatório distribuído aos clientes.


Em relação ao setor de consumo, com as taxas de juros caindo e a queda da inflação, há uma aposta na retomada do consumo. "Nós esperamos que as ações de varejistas superem o setor de alimentos e bebidas, apesar de permanecermos neutros em ambos", escreveram. Em termos de desalavancagem, o setor de utilities aparece como um consenso de compra. "Nós recomendamos as ações do setor de energia e imobiliário. Em energia, apostamos em Petrobras, com indicação de compra, nossa visão é de que a queda no preço do petróleo é temporária", escreveram.

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