Barroso defende legalizar drogas para quebrar monopólio do tráfico

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu hoje a legalização e a regulamentação das drogas no Brasil pelo Estado. A medida, conforme o ministro, seria a melhor estratégia para "quebrar" o poder do tráfico nas comunidades carentes.


Para Barroso, a descriminalização reduzirá o número de vítimas inocentes atingidas por balas perdidas e a cooptação de jovens pelo tráfico. "Não estamos defendendo as drogas. Temos que enfrentar (o problema). A guerra às drogas fracassou em todo mundo", disse.


O ministro participou de seminário sobre a descriminalizacão das drogas na Fundação Fernando Henrique Cardoso, na capital paulista. Durante o debate, Barroso disse ainda que o consumo recreativo em ambiente privado não deve ser proibido. "Cada um faz suas escolhas de vida".


O ministro também defendeu uma revisão do sistema penal ao afirmar que é preciso "endurecer no topo" e "suavizar" na base diante da constatação de que os pobres e negros estão mais sujeitos às prisões do que os ricos. "O sistema é desigual. Criamos um país de ricos deliquentes", declarou.


Barroso se colocou contra a prisão de réus primários com bons antecedentes flagrados com drogas. Para esses casos, sugeriu penas alternativas, como prestação de serviços à comunidade.


No evento, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso voltou a defender a descriminalização do consumo de drogas. Em debate realizado no instituto que leva seu nome, o tucano afirmou que não se trata de "liberar geral". Segundo ele, a classe política tem medo de debater o tema e confrontar a sociedade.

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