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Incertezas locais e exterior arisco empurram dólar a quase R$ 3,15

O dólar teve nesta quarta-feira a maior alta em quase um mês, fechando perto de R$ 3,15, em um dia de fortalecimento global da moeda no exterior. O movimento local, porém, foi impulsionado pelo aumento do desconforto do mercado em torno do noticiário fiscal, centrado nas negociações da reforma da Previdência.


Analistas ainda rechaçam avaliações sobre mudanças de cenário. A expectativa segue de aprovação do projeto e com grau de efetividade suficiente para reverter a piora da trajetória da dívida pública. No entanto, a pressão no câmbio mais uma vez refletiu o temor de que as concessões já feitas pelo governo estimulem novas demandas de parlamentares, o que achataria mais o projeto, com riscos de reduzir a potência da reforma.


O parecer do relator do projeto na Câmara, deputado Arthur Maia (PPS-BA), trouxe "surpresinhas" - como ele mesmo disse. Pressionado pela bancada ruralista, o governo desistiu de elevar o tempo de contribuição do trabalhador rural e de igualar a idade mínima de aposentadoria do homem e da mulher da agricultura familiar. O parecer tampouco trouxe o fim da isenção das entidades filantrópicas sobre as contribuições previdenciárias.


O parecer será votado apenas em 2 de maio. Maia tentou minimizar o acordo feito com a oposição para votar nessa data, evitando classificá-lo como derrota. Mas o governo contava que a votação ocorreria ainda neste mês de abril.


Os ruídos vieram um dia depois de o governo sofrer derrota na votação do pedido de urgência para a reforma trabalhista. Manchete do Valor desta quarta-feira diz ser provável que o resultado tenha sido reflexo do conteúdo das delações de executivos da Odebrecht, que envolvem membros do governo e parlamentares.


No fechamento, o dólar comercial subiu 1,11%, a R$ 3,1477. É a alta mais forte desde 23 de março (1,34%). O patamar é o mais alto desde 7 de abril (R$ 3,1499).


No mercado futuro, em que os negócios vão até as 18h, o dólar para maio tinha alta de 1,33%, a R$ 3,1565.


O real foi destaque de baixa nos mercados globais de câmbio. A moeda brasileira foi a segunda que mais perdeu entre 33 pares do dólar, melhor apenas que o peso mexicano, que caía 1,4% no fim desta tarde.


Receios em torno de políticas protecionistas do governo do presidente americano, Donald Trump, voltaram a pesar sobre a moeda mexicana. Não bastasse isso, o tombo de quase 4% dos preços do petróleo elevou a aversão a risco, alvejando divisas correlacionadas às commodities, entre elas o real. Os dólares australiano, neozelandês e canadense, a coroa norueguesa e o peso colombiano encabeçavam a lista das maiores perdas nesta sessão.

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