Dilma pediu que Palocci resolvesse dívida de Patrus, diz Mônica Moura

A publicitária Mônica Moura disse, em depoimento ao Ministério Público Federal (MPF), que enfrentou dificuldade para receber de Fernando Pimentel a maior parte do valor de R$ 4 milhões acertado para a campanha de Patrus Ananias à Prefeitura de Belo Horizonte, em 2012.


"Pimentel é uma pessoa muito escorregadia, muito difícil de lidar. Ele marcava comigo e nem sequer aparecia. Dizia que ia mandar alguém entregar dinheiro, mas nem aparecia mais. Eu ficava cheia de problema para resolver. Foi uma campanha que a gente praticamente fez a pedido, porque não estávamos preparados para atender", afirmou a publicitária. Ela recebeu do ex-ministro do Desenvolvimento e hoje governador de Minas Gerais R$ 800 mil em dinheiro.


Questionada pelo MPF se sabia da origem do dinheiro entregue por Pimentel, Mônica disse que não tinha a menor ideia. "Mas tinha a consciência de que o dinheiro, que a pessoa paga em cash, seria de alguma negociata dele (...) Eu até imaginava que seria alguma 'Odebrecht' na vida dele, que ajudava na campanha, mas ele não me colocou em contato com essa empresa", afirmou.


Com a derrota de Patrus nas eleições, Pimentel teria se afastado ainda mais das obrigações financeiras. "Quando acabou a campanha, Pimentel evaporou do mapa. Ligava para ele e não me atendia. Aí, João [Santana, marido dela] falou com a Dilma [Rousseff]", disse Mônica.


Segundo o depoimento ao MPF, a presidente Dilma ? ao ser cobrada pelo marqueteiro ? disse para procurar Antônio Palocci e resolver o problema. "Palocci me chamou no escritório dele e me disse que o pessoal da Odebrecht ia pagar a dívida", afirmou Mônica. Segundo ela, a empreiteira realizou o pagamento de quase R$ 2 milhões em conta no exterior.


"Etezinho"


Para a publicitária, o problema de pagamento não foi levado ao próprio candidato porque acreditava que ele não resolveria a questão. "Coitadinho. Se você conhecer o Patrus vai entender que ele é quase um 'etezinho' em relação às coisas. Não se preocupava com nada. Era como um filósofo, uma pessoa que vivia com a cabeça nas nuvens, uma pessoa maravilhosa", disse a delatora.


Mônica disse que o petista não era de se preocupar com assuntos de prestação de contas da campanha. "Patrus não cuidava de nada disso. Era uma pessoa totalmente 'out', totalmente fora do ar", disse a publicitária, demonstrando estar à vontade frente aos representantes do MPF.

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