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Juros futuros fecham em queda, com aposta maior no corte da Selic

Os juros futuros começaram a semana em forte queda, com algumas taxas rompendo importantes suportes psicológicos, em meio à crescente avaliação de que dados de inflação e atividade respaldam a continuidade do corte da Selic sem ameaças às expectativas para os preços.


Há entre os investidores o sentimento de que o governo conseguirá, ainda que mais tardiamente, aprovar a reforma da Previdência. Isso é visto como um caminho aberto para a taxa básica continuar em queda, especialmente com a economia ainda em ritmo lento e a inflação surpreendendo para baixo.


"O que se vê é um mercado que volta a operar mais o estrutural, e isso pode ser visto pelo movimento dos DIs longos, que continuam em queda expressiva", diz Luis Laudísio, operador de renda fixa da Renascença. Ele ressalva, porém, que o cenário favorável à baixa dos juros é baseado na premissa de realização dos ajustes econômicos, ainda envolta em incerteza.


As apostas dos investidores fez a diferença entre os DIs janeiro de 2021 e janeiro de 2018 ficar em 0,98 ponto percentual hoje, ao redor das mínimas desde 17 de maio, um dia antes do estouro da crise política nacional, que tem o presidente Michel Temer como alvo. Já a diferença entre as taxas para janeiro de 2019 e janeiro de 2018 manteve-se negativa, em -0,03 ponto. A indicação é que o mercado enxerga cada vez menos riscos de o Banco Central precisar apertar a política monetária ao longo do próximo ano.


A fala do presidente do BC, Ilan Goldfajn, em evento hoje em São Paulo, respaldou essa percepção. Ele disse que, mesmo com os atuais riscos, o cenário básico ainda prescreve queda dos juros, com o comportamento da inflação permanecendo "favorável". As declarações de Ilan não trouxeram grandes novidades, mas a repetição de elementos mantém no mercado a convicção de que o caminho da Selic segue descendente. Além disso, sustenta o debate sobre as chances de o BC repetir corte de 1 ponto percentual do juro básico no Copom de julho.


Divulgada hoje, a segunda prévia de junho do IGP-M mostrou deflação de 0,61%. Com isso, crescem expectativas de que as taxas negativas se estendam por mais tempo. Na sexta-feira, o IBGE reporta o IPCA-15 de junho. O UBS projeta que a taxa em 12 meses desacelere a 3,4%, com leitura mensal de 0,07%, bem abaixo da de maio (0,24%).


Os cenários para a política monetária e inflação tendem a ficar mais claros no Relatório Trimestral de Inflação (RTI), a ser divulgado na quinta-feira.


Ao fim do pregão regular, às 16h, o DI janeiro/2018 caía a 9,020%, mínima do dia, ante 9,105% no ajuste anterior.O DI janeiro/2019 cedia a 8,990%, depois de ter batido 8,970% na mínima do dia, bem abaixo do ajuste de sexta-feira (9,090%).


E o DI janeiro/2021 recuava a 10,000%, muito próximo da mínima intradiária (9,990%) e 10 pontos-base a menos que o ajuste anterior (10,100%).

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