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Dólar testa nível de R$ 3,15 com Trump e trégua na política

O recuo generalizado do dólar no exterior se reflete no mercado brasileiro de câmbio nesta terça-feira (18). A divisa americana opera em queda no início desta tarde e testa o nível de R$ 3,15, renovando as mínimas desde o estouro da crise política em Brasília.


O principal gatilho do movimento de hoje diz respeito aos novos sinais fraqueza do governo americano de Donald Trump, que perdeu a maioria no Senado na sua tentativa de reformar o sistema de saúde.


Crescem assim as incertezas em torno da capacidade do republicano em avançar com sua agenda econômica. Ontem (17), dois senadores do próprio partido de Trump se opuseram à proposta do presidente. Com isso, o governo ficou sem os votos necessários para aprovar uma das propostas legislativas mais importantes do primeiro ano de mandato.


As dúvidas em torno da governabilidade do republicano se somam a uma série de indicadores fracos no país, minando assim as expectativas da crescimento da maior economia do mundo.


O operador Cleber Alessie Machado Neto, da H.Commcor, aponta que vê com "naturalidade" eventual teste do nível de R$ 3,15 por aqui, direcionado pelas dúvidas em torno de Trump. Soma-se a isso o cenário pontualmente favorável ao real, com bancos centrais globais cautelosos e "esperanças renovadas com as reformas após a aprovação da reforma trabalhista", acrescenta o especialista.


Para Faria Junior, da Wagner Investimentos, é justamente a esperança nas reformas e no ajuste de contas públicas que evita uma preocupação maior com a situação fiscal do Brasil. "É bastante claro que o Brasil tem grade dificuldade fiscal e o que dá sobrevida no mercado é expectativa de reforma", diz o profissional. "O Brasil está passando por uma agenda de reformas. E ainda tem esperança de avanço, seja com Michel Temer ou Rodrigo Maia", afirma.


Às 13h36, o dólar comercial marca R$ 3,1576, em queda de 0,74%.O contrato futuro para agosto, por sua vez, recua 0,88%, a R$ 3,164.


Juros


Os juros futuros operam queda nesta terça-feira, atentos à movimentação dos ativos no exterior. Prevalece no mercado o efeito de queda generalizado do dólar em meio a incertezas sobre a governabilidade de Trump.


As taxas, principalmente de vencimentos mais curtos, chegaram a zerar a queda e operar próximos da estabilidade. Mas depois retomaram a trajetória descendente, à medida que o clima de alerta de risco foi ampliado no mundo. Nesses vértices, tem havido um recuo sequencial nos últimos dias enquanto ganha força a aposta de corte de 1 ponto percentual da Selic já na próxima reunião do Copom.


Por volta das 13h40, o DI janeiro/2019 opera a 8,520%, de 8,550% no último ajuste, e o DI janeiro/2018 cai a 8,650%, ante 8,665% no ajuste anterior.Ainda entre os intermediários, o DI janeiro/2021 marca 9,580%, ante 9,620%.


Bolsa


A bolsa de valores brasileira firmou-se em território negativo nesta terça-feira, com as empresas do setor de commodities também se rendendo à cautela que tem feito os investidores evitarem novas posições no mercado. Mesmo esse ambiente global mais favorável ao risco não é suficiente para encorajar investidores nesta terça-feira.


O Ibovespa, principal índice acionário local, recuava 0,22%, para 65.069 pontos, às 13h40, depois de ter ensaiado uma leve alta no início do pregão.


As produtoras de matérias-primas, que figuravam entre as maiores elevação do dia nesta manhã, passaram para a ponta oposta.A CSN ON registrava queda de 1,67% no horário. A siderúrgica teve seu rating em escala global rebaixado pela Moody's Investor Service ontem (17) à noite. A Gerdau PN, por sua vez, caía 1,81%.


Completando o time das cinco maiores quedas do horário estão Ultrapar ON (-2,29%), Embraer ON (-2,13%) e Pão de Açúcar PN (-2,04%).


Na ponta oposta, estão entre as maiores altas a WEG ON (2,19%), Eletrobras ON (1,69%), Suzano PNA (1,65%), Eletrobras PNB (1,45%) e Sabesp ON (1,13%).


O mercado segue atento às movimentações do presidente Temer, em meio ao recesso parlamentar, para reabrir o debate sobre as reformas estruturais. O adiamento da resolução da crise institucional enfrentada pelo país faz com que os investidores deixem de tomar posições mais arriscadas.


A Bovespa tem vivido dias de pouca variação e relativamente baixo volume de negócios por conta das incertezas políticas.

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