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Juro futuro cai, com alta de apostas em Selic 1 ponto percentual menor

A convicção do mercado financeiro na venda de juros ganhou um reforço de peso nesta quinta-feira. O IPCA-15 de julho foi o mais recente índice de preços a surpreender para baixo, fortalecendo a expectativa de corte de 1 ponto percentual da Selic na próxima semana. E também endossou a percepção de que a dinâmica dos preços está favorável a ponto de permitir que o Banco Central leve o juro básico a patamares ainda menores.


O IPCA-15 teve deflação de 0,18% em julho, a primeira em quase sete anos. Para o mercado, é mais uma evidência de que o cenário para os preços continuará se mostrando benigno, especialmente com a acalmada no campo político e a valorização da taxa de câmbio. O real sobe 5,9% neste mês, melhor desempenho entre 33 pares do dólar.


A moeda americana já está em patamares vistos antes da delação da JBS, em 17 de maio. E a diferença entre os DIs janeiro/2019 e janeiro/2018 - uma medida da percepção de risco para a política monetária ao longo de 2018 - tornou a cair hoje, marcando -18,5 pontos-base, menor patamar desde 12 de maio.


Analistas chamam a atenção para o peso do ambiente externo nessa recuperação dos preços dos ativos locais. Mas destacam também que o aproveitamento da demanda por risco vinda de fora só foi possível porque o cenário interno ficou menos turbulento - embora ainda incerto.De qualquer forma, o mercado tem se sentido mais confortável para prever juros mais baixos.


O Groupe Crédit Agricole, com o maior volume de ativos sob gestão da Europa, revisou para baixo sua estimativa para a Selic ao fim deste ano. A instituição prevê agora que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzirá o juro básico para 8% ao ano, 75 pontos-base abaixo do prognóstico anterior. O Crédit projeta corte de 100 pontos-base na semana que vem, que levaria a taxa básica para 9,25%.Italo Lombardi, estrategista sênior para mercados emergentes da instituição, diz que a "poeira levantada pela crise política baixou". Além disso, o mercado de câmbio tem se comportado de maneira "muito benigna", e a inflação tem continuamente surpreendido para baixo. "As condições certas para outro corte de 100 pontos-base estão aí", afirma o estrategista.


Pelos mesmos motivos, a gestora Quantitas também revisou sua estimativa para a Selic, passando a ver taxa de 7,5% até dezembro (8% antes).


Num indicativo de que o mercado reforçou nesta quinta-feira o "trade" de política monetária, o giro de contratos no DI setembro/2017 - que reflete apostas para o Copom da próxima semana - já é o maior em mais de um mês. Até as 16h45, 147.485 contratos já haviam sido negociados para esse vencimento.


Em todo o mercado de DI de um dia, 1.769.045 ativos já trocaram de mãos, o que coloca a sessão desta quinta-feira a caminho de se tornar a mais movimentado em um mês e meio.


Ao fim do pregão regular, às 16h, o DI janeiro/2018 - no qual o mercado opera expectativa para o patamar final da Selic em 2017 - caía a 8,525% (8,600% no ajuste anterior).O DI janeiro/2019 cedia a 8,340% (8,420% no ajuste anterior).


O DI janeiro/2021 recuava a 9,460% (9,480% no ajuste anterior).E o DI janeiro/2023 operava estável, a 9,960%.


(Colaborou Lucas Hirata)

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