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Fitch gera queda do Ibovespa; dólar cai abaixo de R$ 3,24

23/02/2018 13h57

O rebaixamento do Brasil pela Fitch deu argumento para um movimento de realização de lucros no Ibovespa. Depois de operar acima dos 87 mil pontos, o índice já vinha dando sinais de cansaço e, assim que saiu a notícia do "downgrade", firmou-se no terreno negativo. Mas, para profissionais, a notícia não altera as perspectivas para a bolsa, uma vez que já era amplamente esperada.


A Fitch cortou a nota soberana do Brasil para BB- e colocou o "outlook" estável, a exemplo do que já havia feito a S&P, primeira das três grandes agências a reagir ao fracasso da reforma da Previdência. O corte da nota não é uma boa notícia, mas já estava amplamente "precificada". E não tem impacto sobre decisões de investimento de fundos globais, como ocorreu quando o país perdeu o selo de grau de investimento.


De todo modo, após uma alta de mais de 1,50% no mês e de renovar marcas históricas, o índice passa por um ajuste e opera em leve queda. O movimento de correção é capitaneado pelos papéis de bancos, que haviam subido com força ontem.


Às 13h50, Ibovespa caía 0,06, aos 86.647 pontos. Itaú PN caía 1,18%, Bradesco ON recuava 2,01%, Bradesco PN cedia 1,02% e BB ON perdia 0,54%.


Entre as outras blue chips, Petrobras ON subia 0,54% e Petrobras PN caía 0,19%, enquanto Vale ON tinha ganho de 0,33%.


No noticiário local, o grande destaque são os balanços das companhias. E são justamente duas empresas que divulgaram resultados ontem - Magazine Luiza e BRF ? as que ocupam as posições de maior alta e maior queda do Ibovespa, respectivamente.


Magazine Luiza ON subia 6,12%. A varejista registrou lucro líquido de R$ 165,6 milhões no quarto trimestre, alta de 259,5% em relação a igual período do ano anterior e 33,6% acima da média das projeções colhidas pelo Valor.


Já BRF ON caía 7,52% e tem também o giro mais forte da bolsa, de R$ 502 milhões. Par se ter uma ideia, Vale ON movimenta R$ 398 milhões e Petrobras PN, R$ 395 milhões. A BRF apresentou prejuízo líquido de R$ 784 milhões no quarto trimestre, perda 77,4% maior do que a registrada no mesmo período de 2016.


Dólar


O dólar opera em leve baixa frente ao real no fim da manhã desta sexta-feira, mas ainda segue a caminho de fechar a semana com alta perto de 0,7%. Com isso, a moeda brasileira segue atrás de alguns de seus principais pares emergentes.


Às 13h50, o dólar comercial tinha variação negativa de 0,27%, a R$ 3,2381.


A cotação voltou a oscilar em ligeira queda depois de, momentaneamente, ficar estável, reagindo à decisão da agência de classificação de risco Fitch de rebaixar a nota de crédito soberano do Brasil de "BB" para "BB-", aprofundando o país no grau especulativo. A perspectiva, porém, melhorou de "negativa" para "estável".


Persistência de grande déficit fiscal, crescente endividamento do governo e incapacidade de aprovar reformas estiveram entre os motivos citados para a decisão, que veio poucos dias após o governo admitir a suspensão dos trâmites para votação da reforma da Previdência.


Os temas fiscais e, cada vez mais, políticos são os mais lembrados em análises sobre as perspectivas para a taxa de câmbio ao longo dos próximos meses. A possibilidade, agora real, de o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, se candidatar à Presidência da República, é uma das informações que ajuda a tornar o quadro eleitoral mais incerto. E deixa, no mercado, a dúvida sobre quem seria seu sucessor até dezembro.


"Certamente essa é uma questão que vai ganhar corpo e entrar nas contas do mercado, mas por ora não parece o caso", diz Luis Laudísio, da Renascença. "De qualquer forma, é provável que quem estiver na Fazenda apenas 'toque a bola' de lado", acrescenta, referindo-se a administrar os dados econômicos positivos e a expectativa de reforma previdenciária apenas para o ano que vem.


O profissional da área de derivativos de uma corretora em São Paulo acredita que, em se confirmando a candidatura de Meirelles, a aposta é que Temer coloque alguém "que dê sequência ao trabalho". Por outro lado, não descarta o risco de o substituto ter perfil "mais político" e que ajude a impulsionar a candidatura de alguém da situação.


"Isso é um risco para o mercado? Não acredito, mas ruído sempre vai gerar", afirma.

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