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Dólar supera R$ 3,42 e renova máxima de 2016

13/04/2018 17h50

Numa sessão de intensa volatilidade, o dólar voltou a mostrar força e renovou a máxima desde dezembro de 2016 ante o real, acima de R$ 3,42. Mais uma vez, o movimento do câmbio se mostrou alheio ao de seus pares emergentes, evidência clara de que a dinâmica negativa tem sido guiada por fatores locais, seja técnico ou de fundamento. A ansiedade antes da divulgação de novas pesquisas eleitorais serviu para deixar o mercado ainda mais ressabiado.

A semana começou com a escalada de preocupações eleitorais, mas nos dias seguintes o noticiário não trouxe grandes novidades. Ainda assim, o real se manteve entre as moedas de pior desempenho nos mercados de câmbio. Analistas têm se debruçado para entender o que tem ditado essa fraqueza. E praticamente todos endossam o efeito negativo da queda dos diferenciais de juros a mínimas históricas.

A julgar pelos dados mais recentes, o risco é de mais pressão sobre a câmbio decorrente dessa variável. Depois de sustentar avaliação "positiva" há alguns meses, o Morgan Stanley passou a atribuir recomendação "neutra" para o real. E prevê que o diferencial de juros a favor da moeda brasileira caia ainda, já que, no novo cenário, estima duas quedas de 0,25 ponto percentual da meta Selic em maio e junho.

Com isso, o juro bateria uma nova mínima recorde de 6%, ficando 150 pontos-base abaixo da taxa mexicana, por exemplo.

Devido ao "elevado prêmio de risco" já embutido, os estrategistas do Morgan veem espaço "limitado" para mais desvalorização do real. Mas preferem se manter "neutros", devido à perspectiva de continuação do ciclo de distensão monetária e também aos "ruídos" associados às eleições. O banco espera dólar de R$ 3,25 ao fim de 2018.

A redução do "juro extra" favorável ao Brasil também é dos argumentos dados pelo UBS para explicar a "underperformance" do real nos últimos meses - e aprofundada nas últimas semanas.

Tony Volpon, ex-diretor do BC e atual economista-chefe do UBS no Brasil, diz que desde 2016 tem havido um "grande desmonte" de posições de "carry trade" em reais, provocado em parte pela redução do estoque de swaps cambiais do Banco Central.

Segundo Volpon, o pico desse ajuste pode ter passado, o que tende a amenizar a pressão sobre o câmbio. No entanto, com o novo "status" de moeda de financiamento, o real corre o risco de continuar operando com desconto em relação a seus fundamentos. "Acreditamos que isso já está acontecendo", diz Volpon, para quem a taxa "justa" de câmbio estaria em torno de R$ 3,26.

No fechamento desta sexta-feira, o dólar comercial subiu 0,59%, a R$ 3,4272. É o maior patamar de encerramento desde 5 de dezembro de 2016 (R$ 3,4298).

Em cinco pregões, a moeda americana ganhou 1,79% - segunda semana consecutiva de valorização.Em abril, o dólar avança 3,75% e se aprecia 3,43% em 2018.

Tanto nesta sexta-feira, quanto na semana e no mês, o real tem o segundo pior desempenho global. Apenas o rublo russo perde mais. Até a lira turca - moeda que opera nas mínimas históricas - consegue ter desempenho melhor que a divisa brasileira nas variadas janelas de tempo.

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