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Juros futuros sobem, com apostas de aperto monetário maior nos EUA

23/04/2018 17h23

O exterior não deu alívio ao mercado de juros futuros nesta segunda-feira. As taxas dos contratos de DI chegaram ao fim da sessão regular bem próximos das máximas do dia, ajustando-se à firme elevação dos yields (retorno ao investidor) americanos, referência do custo global de crédito.

A taxa projetada pelo DI janeiro de 2023 registrou hoje seu maior salto diário em duas semanas. Considerando o valor de fechamento, a alta foi de 10 pontos-base, a 9,180%, numa intensidade que não era registrada desde o último dia 4.

O pano de fundo do movimento conta com apostas de um aperto monetário mais duro nos Estados Unidos, já que a valorização das commodities poderia significar nova onda inflacionária. Diante dessa leitura, o juro do título americano de 10 anos se aproximou do patamar de 3%, que pode afastar os investidores globais de ativos mais arriscados, como de emergentes.

Para o chefe global de pesquisa na gestora Ashmore, Jan Dehn, não é a alta das commodities que conduzirá a um aperto monetário mais duro nos Estados Unidos. "O Federal Reserve deve olhar para além dos preços de petróleo, isso é só um dos componentes da inflação", diz o especialista. O risco estaria, de fato, na política fiscal expansionista de Donald Trump.

Alguns participantes do mercado apontam que o nível dos yields não significa necessariamente uma mudança de postura do banco central americano, nem que a onda inflacionária vá se materializar. "O juro da T-note de 10 anos a 3% não é uma sinalização de que o Fed vai abrir mão do gradualismo no aperto monetário", afirma o trader de uma corretora bastante atuante na renda fixa brasileira.

Para os emergentes, os fundamentos ainda seguem positivos e devem ajudar a enfrentar o ambiente de juros mais altos nos EUA. "O crescimento supera o custo maior de financiamento", diz Jorge Mariscal, diretor de investimento de mercados emergentes do UBS. "Em nosso cenário-base, o aumento nas taxas nos EUA depende do crescimento resiliente. E o Fed se arriscará mais em ser excessivamente 'dovish' (voltado ao afrouxamento menetário) do que excessivamente 'hawkish' (com tendência ao aperto da política monetária)", acrescenta.

E a disparada do dólar e o ambiente externo lá fora ainda não parece trazer grandes riscos para a política monetária do Brasil, o que garante o bom comportamento dos juros curtos.

Para Flavio Serrano, o economista sênior do banco Haitong, o balanço de riscos ainda está dentro do previsto pelo Banco Central em seu plano de voo para a Selic. A expectativa é de corte da taxa na decisão de maio, de 6,50% para 6,25%, e interrupção do processo em seguida. "Em termos de fundamentos, a chance seria de taxas mais baixas", diz o especialista, ao destacar, por outro lado, que o câmbio e o ambiente externo recomendam cautela para os próximos passos do Banco Central.

Por volta das 16h, no fim da sessão regular, o DI janeiro/2019 marcava 6,225% (6,215% no ajuste anterior). oDI janeiro/2020 apontava 6,910% (6,890% no ajuste anterior), oDI janeiro/2021 ia a 7,930% (7,870% no ajuste anterior), oDI janeiro/2023 marcava 9,180% (9,070% no ajuste anterior) e oDI janeiro/2025 projetava 9,740% (9,610% no ajuste anterior).