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Petrobras sobe e impulsiona Ibovespa; dólar apresenta instabilidade

Após iniciar o dia oscilando ao redor da estabilidade, o Ibovespa ganhou força e já se aproxima do nível de 77 mil pontos. A consolidação do índice no campo positivo ocorreu após a virada nas ações da Petrobras ? os papéis operam em alta de mais de 2% no momento.

Por volta de 13h45, o Ibovespa avançava 0,75%, aos 76.646 pontos, após atingir a máxima aos 77.067 pontos.

Os investidores continuam monitorando a situação da greve dos caminhoneiros e, embora o movimento dê sinais de esgotamento, o acompanham eventuais declarações de autoridades e medidas a serem tomadas no contexto da crise dos combustíveis.

Petrobras ON (+1,35%) e Petrobras PN (+0,93%) se recuperam após iniciarem o dia no campo negativo. "Qualquer notícia, boato ou declaração [sobre a política de preços] afeta os papéis", diz Ari Santos, gerente da mesa de operações da H. Commcor, ressaltando que o mercado segue com muitas dúvidas a respeito do nível de interferência do governo nas atividades da companhia.

Hoje, a Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência informou, por meio de nota à imprensa, que o governo continuará a preservar o regime de preços da estatal e que a gestão Temer tem compromisso com a saúde financeira da empresa.

Além da sensibilidade do mercado em relação à Petrobras, Santos afirma que a tranquilidade dos mercados globais também ajuda o Ibovespa a se manter no campo positivo. "Hoje é a virada do mês, e ajustes de posições neste último pregão também podem fazer com que o mercado suba um pouco", diz.

Vale ON (+1,46%) também ganhou força após as primeiras horas de pregão ? o minério de ferro fechou em alta de quase 3% hoje na China. Ainda entre as blue chips, Banco do Brasil ON (+4%) tem alta firme, em contraste com Itaú Unibanco PN (-0,07%).

Câmbio

O dólar chega no início da tarde perto da estabilidade frente ao real, mas já oscilou entre quedas e altas, na volatilidade típica de dia de formação da Ptax de fim de mês.

Às 14h, a cotação estava em R$ 3,7285, com ligeira queda ante o fechamento de ontem (29). No mercado futuro, a taxa do contrato para julho subia 0,28%, a R$ 3,737.

O mercado segue demonstrando mais cautela, ainda avaliando os efeitos da paralisação dos caminhoneiros, que deve afetar negativamente a economia e manter o clima de incerteza sobre a força do governo para articular medidas de suporte às contas públicas.

Num sinal disso, o real é uma das poucas moedas que não conseguem ganhar terreno frente ao dólar hoje. Pares como rand sul-africano, lira turca e peso mexicano se valorizaram entre 0,7% e 2%, por exemplo.

Hoje, o Banco Central voltou a colocar US$ 750 milhões em dinheiro "novo" no mercado, com a venda de 15 mil contratos de swap cambial. Mas os mercados como um todo continuam em patamares mais pressionados. Essa ansiedade é percebida especialmente no mercado de juros, em que taxas de longo prazo chegam a subir mais de 30 pontos-base apenas hoje.

"O mercado entrou numa dinâmica ruim, com posicionamento técnico ruim. E a sensação é que não há onde se proteger a não ser no dólar ou nos juros", diz o profissional da corretora, citado acima.

Juros

Os juros de longo prazo disparam na sessão desta quarta-feira à níveis que não eram vistos desde o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. De manhã, a taxa do DI para janeiro de 2027 saltou mais de 40 pontos-base para a máxima de 12,170%, o patamar mais elevado desde 23 de maio de 2016 quando atingiu 12,42%. Mas, no início da tarde, atingiu 12,030%.

E o volume de negócios não deixa dúvida que a turbulência está, de fato, nesses vértices que sofrem hoje uma onda de "stop loss". Até o começo da tarde, o DI para janeiro de 2027, sozinho, batia o giro de 124 mil contratos. A liquidez mais elevada já é algo atípico para vencimentos longos, mas só nessa parcial do dia já supera qualquer outro nível de fechamento para esse papel.

No centro de tamanha turbulência, está a atuação do Tesouro Nacional. A instituição adotou nesta semana a estratégia de intervenção na renda fixa ao fazer leilões diários de compra de títulos públicos com taxa prefixada, as chamadas NTN-Fs. O alvo da crítica, entretanto, é o tamanho das ofertas e período de operações extraordinários.

Hoje, o Tesouro aumentou o tamanho do leilão de compra de títulos públicos prefixados na última operação extraordinária já anunciada para esta semana. A instituição se dispõe a adquirir até 1,5 milhão de NTN-Fs, dos quais 73% foi readquirida. A disparada dos juros de longo prazo, na B3, deixa claro que o mercado não se acalmou com a intervenção do Tesouro.

Em nota, o economista André Perfeito, da Spinelli, destaca que a escalada do juro longo só era esperada à medida que o mercado percebesse que a viabilidade da continuidade das reformas estaria ameaçada. Nesse quadro, também estaria a perspectiva de que um candidato de centro-esquerda teria mais chance que um pró-mercado. "Acreditávamos que isso ocorreria apenas no final do ano após as eleições, mas pelo visto o mercado já vai ajustar todos os preços", diz o especialista.

Para o sócio e gestor da Paineiras Investimentos, David Cohen, uma das grandes dificuldades para o Tesouro estabilizar o juro longo é que o problema de liquidez não se concentra nas NTN-Fs, onde a instituição consegue operar. De fato, a questão está nos derivativos, como os contratos de DI. Como as NTN-Fs trabalham com taxa abaixo do DI, prova-se que não há grandes problemas específico com as NTN-Fs, como já ocorreu no passado. "Mas esse é o único instrumento que o Tesouro dispõe para aliviar o mercado", diz o especialista.

Além disso, o Tesouro deveria aceitar mais papéis nos leilões, como as NTN-Bs, acrescenta Cohen. O mercado, diz o especialista, dá sinais de que há posições grandes de alguns players, mas sem conseguir zerá-las por falta de liquidez ou investidores grandes para dar essa "saída".

Por ora, nenhum anúncio sobre essa questão foi feito. Se mantiver o padrão de outras intervenções, como a oferta de swap cambial pelo Banco Central, a mensagem só deve vir no fim do dia.

Alguns profissionais de mercado até estranham a "passividade" do Tesouro diante da escalada das taxas ao longo de março, já que haveria uma série de motivos para uma intervenção mais forte. Ao estabilizar o mercado de juros, o Tesouro reduziria seu custo de financiamento futuro, já que a instituição emite papéis para gerir a dívida pública e acaba balizando os juros que paga pelas referências de mercado.

Além disso, no nível mais elevado das taxas atualmente, haveria um ganho fiscal quase imediato já que recompraria papéis a preços menores do que quando os emitiu. E algo que os dirigentes da instituição sempre reforçam é que há colchão de liquidez para momentos de estresse como o atual.

Às 14h09, DI janeiro/2019 subia a 6,840% (6,775% no ajuste anterior);DI janeiro/2020 avançava a 7,840% (7,770% no ajuste anterior);DI janeiro/2021 subia a 9,040% (8,950% no ajuste anterior);DI janeiro/2023 avançava a 10,870% (10,610% no ajuste anterior);DI janeiro/2025 marcava 11,620% (11,250% no ajuste anterior);DI janeiro/2027 registrava 12,030% (11,650% no ajuste anterior);DI janeiro/2029 avançava a 12,280% (11,860% no ajuste anterior).

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