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Ibovespa cai com Petrobras, Vale e siderúrgicas; dólar recua

15/06/2018 13h29

O Ibovespa tem mais um dia de correção e já opera na faixa dos 69 mil pontos, num dia marcado pelo mau desempenho das ações da Petrobras e da Vale, além do recuo em bloco das siderúrgicas. Embora o cenário interno não tenha apresentado grandes mudanças, a piora no humor dos investidores globais faz com que o índice siga pressionado.

Por volta de 13h25, o Ibovespa recuava 2,08%, aos 69.937 pontos, na mínima do dia. O giro financeiro já soma R$ 4,8 bilhões, o que implica em quase R$ 11 bilhões movimentados ao fim do dia, caso o ritmo de negociações seja mantido.

No exterior, o aumento das tensões comerciais entre EUA e China faz com que as bolsas americanas operem no campo negativo e eleva a aversão ao risco por parte dos investidores globais. Mais cedo, o governo Trump anunciou a adoção de tarifas de 25% sobre US$ 50 bilhões em produtos chineses ? autoridades de Pequim prometem retaliar "à altura".

Além disso, tanto o petróleo Brent quanto o WTI operam em queda de mais de 2,5%, em meio aos temores de que a Opep e a Rússia se posicionam para elevar a oferta da commodity no segundo semestre. Nesse contexto, Petrobras PN (-3,18%) e Petrobras ON (-3,45%) apresentam perdas expressivas.

Destaque também para Vale ON, que opera em queda de 4,9% e, com isso, apaga os ganhos acumulados no mês. As ações, que apareciam como opção defensiva em meio á forte correção do Ibovespa, agora têm queda de 2,69% em junho. Bradespar ON (-8,2%) tem a maior queda do índice ? a empresa é acionista da Vale.

"O mercado externo tem influência hoje, mas também vemos que os desafios do Brasil continuam", diz Luis Gustavo Pereira, estrategista da Guide Investimentos, citando a indefinição política e a piora nas projeções de crescimento da economia local. Para ele, a alta de 0,46% no IBC-Br em abril ante março ? abaixo das estimativas ? reforça a sensação de fraqueza na atividade econômica.

O pessimismo da economia reforça as expectativas em relação à reunião do Copom, na próxima semana. A possibilidade de uma mudança de ciclo na Selic, com novas altas nos juros, faz com que os bancos e as varejistas ? empresas sujeitas ao consumo interno e à concessão de crédito ? também recuem.

Entre os bancos, destaque para BB ON (-2,4%), Bradesco PN (-0,8%) e Itaú Unibanco PN (-0,7%). Entre as varejistas, as units da Via Varejo (-6%) têm o pior desempenho, seguidas por B2W ON (-3,5%) e Magazine Luiza ON (-3,4%).

Atenção também para o setor de siderurgia, com CSN ON (6,8%), Usiminas PNA (-6%) e Gerdau PN (-3,3%) recuando forte. Ontem, o Valor apurou que a CSN quer dar preferência à venda de ativos em Portugal e Alemanha, contrariando a expectativa dos bancos, que aguardavam a venda das ações preferenciais da Usiminas detidas pela companhia.

No lado positivo, Braskem PNA subia 18,3%, reagindo ao início das negociações de venda da totalidade da participação da Odebrecht na companhia para a holandesa LyondellBasell.

Dólar

O mercado brasileiro de câmbio registra o melhor desempenho diário dentre as principais divisas do mundo nesta sexta-feira. O dólar volta a operar, por aqui, no nível de R$ 3,75, angariando uma queda de 1,5%, num sinal de alívio com o programa de swap cambial do Banco Central.

Ontem, a autoridade monetária reforçou a promessa de injeção de US$ 24,5 bilhões em swaps entre os dias 8 e 15 de junho. Para cumprir o acordo, falta somente a oferta de US$ 2 bilhões nesses derivativos até o fim do dia. Hoje mais cedo, já ocorreram dois leilões: um de 35 mil papéis (US$ 1,75 bilhão) e outro de 40 mil (US$ 2 bilhões).

A venda de swaps nesta sexta-feira caminha, assim, para um novo recorde diário, de US$ 5,75 bilhões. Caso isso se confirme, o estoque subirá para US$ 62,4 bilhões, mais elevado desde que estava em US$ 63,1 bilhões em maio de 2016. E ainda tem mais pela frente, assim como o risco de instabilidade continua alto.

Para a semana que vem, o BC disse que "estima oferecer montante em torno de US$ 10 bilhões em contratos de swaps". O volume poderá ser ajustado para cima ou para baixo, dependendo das condições de mercado. A instituição também reafirmou que não vê restrições para que o estoque de swaps cambiais exceda "consideravelmente" os volumes máximos atingidos no passado.

Na quarta-feira que vem, será anunciada a decisão de juros por aqui. Para o diretor da Wagner Investimentos, José Faria Junior, o BC tem atuado no câmbio com oferta de swaps e não parece disposto a subir os juros em meio a inflação (expectativa) ainda abaixo do centro da meta e com o país patinando (PIB e emprego). "A decisão passada, de manter os juros, causou estresse no mercado. Esta também deverá causar novo stress no mercado de juros e, possivelmente, contaminar ainda mais o câmbio", diz o especialista.

Por volta das 13h25, o dólar comercial caía 1,57%, a R$ 3,7513.O dólar para julho recuava 1,66%, a R$ 3,7475.

Juros

Os DIs têm algum alívio no mercado futuro de juros, mas os investidores continuam cautelosos com o cenário da economia global e os altos riscos locais junto com a expectativa das eleições.

Os contratos de DI apresentam queda junto com o dólar.Ao mesmo tempo, os contratos de juros futuros mostram algum alívio à decisão do Tesouro Nacional de prosseguir com as recompras de títulos prefixados e incluir também as LTNs e NTN-Bs nesse programa.

Segundo Luiz Eduardo Portella, sócio da Modal Asset, boa parte desse movimento se deve ao fato de que o foco, finalmente, irá para as NTN-Bs. "O problema do mercado de juros está no estoque das NTN-Bs, e não de NTN-Fs. A indústria de fundos ficou muito grande e não estava conseguindo zerar as posições nesses títulos", diz o executivo. "O Tesouro está agindo no foco do problema."

DI janeiro/2019 tem taxa de 7,41% (7,6% no ajuste anterior);DI janeiro/2021 é negociado 10,13% (10,35% no ajuste anterior);DI janeiro/2025 está em 12,02% (12,27% no ajuste anterior);DI janeiro/2027 tem taxa de 12,36% (12,66% no ajuste anterior).

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