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Ibovespa tem alívio de curto prazo com bancos e Petrobras

Com a escalada das tensões comerciais entre a China e os Estados Unidos, os investidores viram nas ações de bancos - pouco afetadas por esse movimento global e com preços depreciados - uma boa oportunidade de aplicação. Em contrapartida, reduziram exposição no setor de commodities e exportadoras. Embora o nível do dólar e das matérias-primas ainda sustente o interesse no segundo grupo, os bancos foram os que mais sofreram com as vendas exageradas em bolsa, o que abriu a esses ativos a chance de voltar às carteiras.

O movimento, no entanto, é só uma trégua de curtíssimo prazo, e a estratégia ainda é manter o pé no freio nas compras na bolsa brasileira, em um contexto de incertezas no campo doméstico e com a leitura de risco que persiste sobre emergentes.

No fechamento, o Ibovespa subiu 2,26%, aos 71.394 pontos. Na máxima, o índice chegou a ameaçar a recuperação do nível dos 72 mil pontos, ao subir 3,14% (72.010 pontos). O giro financeiro hoje foi de R$ 11,2 bilhões, acima da média diária negociada em junho.

No setor bancário, subiram com força Bradesco ON (+4,41%) e Bradesco PN (+5,18%), as mais prejudicadas pelas onda de vendas em bolsa recentemente. Itaú Unibanco PN, na mesma tendência, subiu 4,51% e Itaúsa ganhou 4,41%. Como está mais descontado ante os pares por ser estatal, o Banco do Brasil liderou os ganhos do índice no dia (+7,50%).

No sentido oposto, a Vale ON caiu 1,85%, mesma dinâmica de Suzano ON (-5,29%), maior queda do Ibovespa no dia; Fibria ON (-1,85%), Embraer ON (-1,31%) e Braskem PNA (-1,70%) também ficaram no campo negativo.

Para Rafael Gonzalez, sócio da Platinum Investimentos, apesar de bastante evidente, a dinâmica de hoje não indica uma zeragem de posição em exportadoras e companhias de commodities, e sim um ajuste para reequilibrar os portfólios. "A bolsa está sobrevendida, e os bancos foram quem mais concentraram essa dinâmica", diz.

A Petrobras também foi responsável pelos ganhos do dia, com a expectativa em torno da votação na Câmara do projeto de lei sobre a cessão onerosa do pré-sal. Isso garantiria à estatal vender a outras companhias o direito de explorar 5 bilhões de barris de petróleo. Petrobras ON subiu hoje 3,72% e a PN, 6,34%. Um efeito de "short squeeze" ? quando investidores compram ações no mercado à vista para cobrir posições vendidas a descoberto ? também justifica em parte o ganho do dia.

Os riscos de guerra comercial cresceram, mas não a ponto de mudarem as estratégias de prazo maior. Para Pedro Rudge, sócio da gestora Leblon Equities, a aversão ao risco que ainda permeia os ativos brasileiros e emergentes garante oportunidade de investimento em exportadoras. Entre as opções está, por exemplo, Gerdau. Em um contexto de taxação às importações chinesas, a Gerdau não apenas sai blindada como pode colher benefícios, já que tem operações em solo americano.

"Além disso, pelo menos até as eleições, a aversão ao risco vai continuar elevada e, nesse contexto, Suzano, Fibria e Vale são defensivas por terem receita predominantemente em dólar, uma moeda que se acomoda em níveis bem mais altos", diz ele. "Daqui a dois meses, essas ações estarão muito caras? Não sei dizer, mas, olhando para um horizonte de um ano, a perspectiva parece ser muito boa."

Internamente, a decisão de amanhã do Comitê de Política Monetária (Copom) também vai concentrar a atenção dos investidores, em especial depois dos ruídos na atuação do Banco Central (BC) no mercado de câmbio e na comunicação da última reunião. Para Alexandre Póvoa, presidente e sócio da Canepa Asset Management, a decisão deve ter pouca influência no Ibovespa, mas os esforços para acalmar os investidores será bastante relevante.

"O que importa para a bolsa não é a Selic, é o juro longo", diz ele. "Quanto mais o BC der segurança ao mercado e mostrar que está de olho na inflação e no câmbio, melhor para a bolsa".

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