Fabricantes de bebidas temem legalização da maconha nos EUA
(Bloomberg) -- A indústria de bebidas alcoólicas dos EUA teme que o uso de maconha possa fazer com que os clientes bebam menos.
A legalização fará parte da votação de terça-feira (8) no Arizona, na Califórnia, em Maine, em Massachusetts e em Nevada, e as associações do setor de bebidas alcoólicas estão se mantendo neutras ou aliando-se às campanhas pelo "não".
As doações delas não são astronômicas, mas intenção é clara. A Associação de Atacadistas de Vinho e Destilados de Massachusetts deu US$ 50 mil e a Associação de Distribuidores de Cerveja de Massachusetts forneceu US$ 25 mil. Já a Associação de Atacadistas de Vinho e Destilados do Arizona doou US$ 10 mil.
A paranoia se justifica, segundo dados da Cowen & Co. e da Pesquisa Nacional sobre Saúde e Uso de Drogas dos EUA. O número de consumidores de álcool que também fumam maconha aumentou na última década, mas o número de usuários de maconha que bebem caiu.
Entre os homens, em especial, o consumo mensal de bebidas caiu nos últimos cinco anos e o de maconha aumentou.
"Nós seremos a categoria em crescimento; eles serão a categoria madura", disse Adrian Sedlin, CEO da Canndescent, produtora de maconha da região sul da Califórnia. "Eles vão continuar com seus 2% enquanto nós cresceremos nos próximos 30 anos a um ritmo de dois dígitos."
Ameaça corporativa
Pelo lado corporativo, a Boston Beer, fabricante da cerveja Samuel Adams, e a Brown-Forman, exportadora do uísque Jack Daniel's, listaram a maconha legalizada como uma ameaça ao desempenho financeiro das companhias, segundo declarações regulatórias. A declaração da Boston Beer afirma que a legalização da maconha pode reduzir a demanda por seus produtos.
Se a legalização for aprovada nas cinco votações, a área na qual os adultos poderão consumir legalmente maconha com fins recreativos englobará 23% da população dos EUA e 26% do PIB (Produto Interno Bruto) do país, segundo relatório da Cowen.
A maconha já está legalizada para uso recreativo no Alasca, no Colorado, em Oregon e em Washington, além da capital federal, Washington DC.
Vivien Azer, analista da Cowen, disse que o setor de bebidas destiladas é o que mais tem a perder. No total, a Cowen estima que a indústria de maconha recreativa chegará a US$ 50 bilhões em vendas até 2026.
"Existe um risco real para o consumo de álcool", disse Azer. "Se os consumidores usarem ambas as coisas, eu esperaria uma moderação do consumo de álcool para acomodar a adição de um segundo lubrificante social."
Contudo, a ameaça contra o álcool não se materializou nos estados onde a maconha já é legal. As vendas não caíram no Colorado e em Washington após a legalização, segundo o Conselho de Bebidas Destiladas, uma organização do setor.
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