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Agronegócio

RS vende 16 milhões de litros de espumante; veja como se faz a bebida

Priscila Tieppo*

Do UOL, em Bento Gonçalves (RS)

27/02/2014 06h00

O Rio Grande do Sul é o maior produtor de espumantes do Brasil, e vendeu quase 16 milhões de litros da bebida em 2013, de acordo com o Ibravin (Instituto Brasileiro do Vinho). A estimativa é de que esse volume represente 90% do total nacional.

Os fabricantes de espumantes no Estado concentram-se na região da Serra Gaúcha. Lá são utilizados os três métodos de produção da bebida: tradicional, charmat e asti.

O tradicional, também chamado de champenoise (lê-se "champenoáse"), foi criado na França e é o sistema mais demorado de produção.

A bebida sofre duas fermentações, uma em tanque, outra no interior da garrafa, e leva até dois anos para ficar pronta. Os espumantes obtidos dessa forma são os mais valorizados.

Já no método charmat (lê-se "charmá"), as duas fermentações acontecem em tanques de aço. A bebida leva cerca de dois meses para ficar pronta.

O sistema de produção conhecido como asti é utilizado somente para espumantes feitos com uvas da variedade moscato. É uma variação do método charmat, mas com uma única fermentação em tanque, resultando numa bebida mais doce e menos alcoólica que as anteriores.

Para saber como é a produção pelo método tradicional, o UOL visitou duas vinícolas da Serra Gaúcha. Na Salton, em Bento Gonçalves (RS), as informações foram dadas pelo sommelier Vinícius Santiago; na Don Giovanni, em Pinto Bandeira (RS), pelo enólogo Luciano Vian.

Nas vinícolas, as uvas colhidas são esmagadas para obtenção do mosto, formado pelo suco e pela polpa das frutas. O mosto fermenta em tanques por até quatro meses, depois recebe uma mistura de açúcar e leveduras (fungos) e é engarrafado.

As garrafas passam cerca de um ano em câmaras com temperatura entre 12°C e 15°C; nesse período, as leveduras transformam o açúcar em gás carbônico (que depois é liberado na forma de bolhas na bebida) e álcool.

Garrafas ficam com a boca voltada para baixo e são giradas diariamente

Na fase seguinte, as garrafas são colocadas inclinadas, com a boca voltada para baixo, em cavaletes de madeira (os pupitres). Elas ficam nessa posição para que os resíduos que se formam durante a fermentação se depositem numa peça especial que veda a boca das garrafas.

Nos 20 dias em que ficam nos pupitres, as garrafas devem ser giradas uma ou duas vezes por dia em 90 graus (um quarto de volta). São então colocadas num equipamento que congela a boca da garrafa.

Ao se retirar a tampa especial, saem também gelo e resíduos congelados. A bebida recebe então a adição do chamado licor de expedição, formado por mosto fermentado e açúcar.

A quantidade de açúcar do licor define o tipo do espumante: nature (até 3 g de açúcar por litro); extra brut (de 3,1 a 6 g por litro); brut (de 6,1 a 15 g); seco (de 15,1 a 20 g); demi-sec (de 20,1 a 60 g); e doce (acima de 60,1 g de açúcar por litro).

As garrafas de espumante recebem então a rolha de cortiça e a armação de metal; por cima delas, vai uma folha de papel laminado.

Recebem então o rótulo, que deve conter o nome das variedades de uva usadas, o tipo de espumante (brut, seco etc.), o teor alcoólico e a marca do produto, ficando prontas para a comercialização.

(* A repórter Priscila Tieppo viajou a convite do Ibravin)

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