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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Venda de refinaria na Bahia traz mais competição e opções para o consumidor

Ana Paula Lopes do Vale Saraiva e Rafael Chaves Santos

sobre os colunistas

Ana Paula Lopes do Vale Saraiva

Gerente executiva de Gestão de Portfólio da Petrobras. Administradora, ingressou na Petrobras em 2005, passando pelas áreas de Finanças, Gás e Energia, até assumir a função de gerente executiva de Gestão de Portfólio em 2019.

Rafael Chaves Santos

Gerente executivo de Estratégia e Planejamento da Petrobras, tendo coordenado os três últimos ciclos de planejamento na empresa. Engenheiro, com pós-graduações tanto em finanças quanto em economia, em novembro teve seu nome aprovado pelo Conselho de Administração para comandar a diretoria de Relacionamento Institucional e Sustentabilidade, a partir de 16/12.

09/12/2021 04h00

A conclusão da venda da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), na Bahia, para o Mubadala Capital é um marco no reposicionamento do refino da Petrobras e do Brasil. Esse movimento está inserido na estratégia da companhia de investimento em ativos que têm maior aderência à sua vocação e maior potencial de elevar o retorno esperado do portfólio, de forma sinérgica e sustentável.

No caso específico do portfólio de refino, a Petrobras passa a focar nas unidades mais próximas à maior produção de petróleo, aos maiores centros consumidores e à melhor infraestrutura logística instalada. A venda antecipa o caixa a ser gerado pelas refinarias desinvestidas e proporciona a realocação imediata desses recursos em investimentos já programados, como o desenvolvimento do pré-sal e a modernização necessária das refinarias mantidas.

A Petrobras executará, nos próximos anos, um conjunto de projetos de investimentos no segmento que totalizam aproximadamente US$ 6 bilhões, com objetivo não apenas de manter a sua operação, mas também de posicioná-la entre as melhores operadoras de refino do mundo.

Uma parcela desses investimentos faz parte do programa RefTOP que promoverá o uso intensivo de tecnologias digitais, automação e robotização nas refinarias da Petrobras. O RefTOP prevê ainda iniciativas para o incremento do desempenho energético das refinarias, por meio do melhor aproveitamento de insumos como gás natural, energia elétrica e vapor nas próprias operações. Outro objetivo importante do plano de investimentos no refino é o aumento da produção de derivados de alto valor agregado, como diesel com baixíssimo teor de enxofre e o propeno - matéria-prima da indústria petroquímica para a produção de embalagens e peças para automóveis.

Na perspectiva regulatória, a Petrobras está se adequando às orientações do Estado brasileiro que clama pela abertura e pela presença de mais investidores no setor de energia. Em junho de 2019, cumprindo orientações previas do CNPE, a Petrobras assinou um termo de compromisso e conduta (TCC) com o Cade, comprometendo-se a vender 50% do seu parque de refino.

A abertura é saudável para o Brasil. A produção exclusiva da Petrobras nunca atendeu o mercado de combustíveis do país, impondo importações. Concluída a venda da RLAM, mais de 40% da demanda doméstica por combustíveis precisa ser atendida por outros produtores: produtores de biocombustíveis, outros produtores domésticos e produtores internacionais. É assim que funcionam os mercados: pluralidade de produtores oferecendo escolhas para os consumidores.

O resultado da maior abertura do setor é inequívoco: mercado mais dinâmico, com mais competição entre os produtores, mais escolhas para os consumidores, mais investidores, e mais investimentos. A sociedade ganha. A Petrobras ganha com uma operação mais focada em valor.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL