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Carla Araújo


Casamento de Bolsonaro com Guedes começa a semana com troca de elogios

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

27/04/2020 12h42

A semana começou com o presidente Jair Bolsonaro dizendo que quem manda na economia é o ministro Paulo Guedes. Escalado para falar na porta do Palácio da Alvorada, Guedes retribuiu a confiança, agradeceu por diversas vezes o apoio do presidente e foi além: deu a Bolsonaro méritos por conseguir buscar "os invisíveis" que o governo colocou como prioridade para o pagamento do auxílio emergencial dos R$ 600.

A coletiva de hoje cedo foi mais do que uma simples entrevista na saída da residência oficial. Bolsonaro fez questão de mostrar que tem o apoio e dá liberdade para o trabalho de Guedes. "A chance de Guedes sair é zero", disse um interlocutor direto do presidente.

Na semana passada, com a saída do ministro Sergio Moro da Justiça, aumentaram as especulações (e preocupações) com um possível desembarque do "posto Ipiranga" do governo. "Seria muito ruim para o presidente um rompimento desses", avaliou uma fonte palaciana.

Muito do que alimentou a fragilidade do "casamento" de Guedes com o governo foi o protagonismo do ministro da Casa Civil, Braga Netto, ao anunciar o plano Pró-Brasil. Houve desconforto sim. Na equipe econômica, o plano elaborado pelos militares foi visto como "apenas uma grande carta de intenções".

Na semana passada, em live para o UOL, o secretário-executivo do Ministério da Economia, Marcelo Guaranys, admitiu que o programa ainda era muito inicial e reforçou que o objetivo pós-pandemia do coronavírus vai ser a retomada do crescimento via reformas e que dificilmente haverá investimentos públicos em obras.

A primeira reunião do grupo que tocará o projeto aconteceu na sexta-feira passada, mas com o dia tomado pelo furacão da saída de Moro em nada se avançou ainda.

O suposto desconforto entre Guedes e Braga Netto, ressaltam auxiliares, não é tão grande quanto parece. Os dois mantêm contato praticamente diário e inclusive se conhecem há anos, já que o ministro militar foi colega de turma de um irmão de Guedes. "Eles se respeitam, se conhecem e não há brigas", diz um assessor.

Críticas a Guedes

Se o momento parece de paz e amor entre Bolsonaro e Guedes, ainda há nos bastidores algumas reclamações em relação ao ministro da Economia. Um general que auxilia o presidente - e que fez duras críticas à atuação de Moro - diz que agora é o momento de evitar mais fragilidades a Bolsonaro e Guedes tem o dever de mostrar sua lealdade ao presidente.

Na semana passada, na fala de Bolsonaro para rebater Moro, Guedes chamou a atenção por ser o único de máscara de proteção, com receio do coronavírus. "Ele tem as posições dele, pode discordar do presidente, mas o governo tem um presidente que dita a linha que todos devem seguir", destaca um interlocutor.

Se em briga de marido e mulher não se mete a colher, como diz o ditado popular, nesse casamento há diversos outros personagens que trabalham para garantir (ou não) que a harmonia entre os personagens "seja eterna enquanto dure".

Carla Araújo