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China suspendeu carne de frigorífico brasileiro por suspeita de coronavírus

Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

09/10/2020 15h02

Tem sido um padrão adotado pelas autoridades chinesas inspecionar as cargas vindas de outros países, inclusive do Brasil, para evitar a entrada no país de produtos contaminados com o coronavírus.

No último dia 1º, o frigorífico brasileiro Minerva teve uma carga de carne bovina retida por uma semana. A China afirmou ter encontrado vestígios do novo coronavírus em uma amostra de embalagem de um carregamento de carne congelada e desossada da empresa. Uma fonte do governo confirmou que a suspensão chinesa aconteceu por suspeita de contaminação pelo coronavírus.

Em nota, a Embaixada da China no Brasil disse que esse tipo de medida é "temporária, não visa um país em particular, como o Brasil, não vai afetar a qualificação dos frigoríficos exportadores e tampouco terá um impacto substancial no comércio do agronegócio bilateral."

A Minerva também confirmou a suspensão, mas não esclareceu o motivo.

"A Minerva S.A. ("Minerva" ou "Companhia"), líder na América do Sul na exportação de carne bovina, informa aos seus acionistas e ao mercado em geral que, há uma semana, teve as suas exportações provenientes da planta de Barretos, estado de São Paulo, com destino à China suspensas, em função da realização de testes sanitários conduzidos pelas autoridades alfandegárias chinesas", diz o texto.

Segundo a empresa, a averiguação foi concluída e "nada de mais grave foi identificado". "Desta forma, a planta de Barretos/SP já retomou as suas atividades para exportação de carne bovina para a China", afirma.

Não há evidências de que o vírus possa ser transmitido pelos alimentos.

Situação política

Em março, quando o coronavírus começou a chegar no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro chegou a admitir nos bastidores o receio de que o vírus seria alguma arma comercial chinesa.

Em público, no entanto, apenas um de seus filhos, o deputado Eduardo Bolsonaro, deu declarações que mostravam essa preocupação do governo, numa espécie de teoria da conspiração.

Fazendo uma analogia com o vazamento da usina nuclear soviética de Chernobyl na década de 1980, Eduardo Bolsonaro disse que a China preferiu "esconder algo grave" a se expor "tendo um desgaste que salvaria inúmeras vidas"

"Quem assistiu Chernobyl vai entender o que ocorreu. Substitua a usina nuclear pelo coronavírus e a ditadura soviética pela chinesa. Mais uma vez uma ditadura preferiu esconder algo grave a expor tendo desgaste, mas que salvaria inúmeras vidas", disse, na ocasião.

Por outro lado, em abril, a embaixada da China no Brasil rebateu 12 rumores considerados mais comuns que associam o país asiático ao coronavírus. Segundo a diplomacia chinesa, a explicação se deve ao fato de que relatórios e debates sobre a origem e disseminação do novo coronavírus eram frequentemente misturados com alegações falsas.

Agora, na avaliação de fontes do governo, não há um comportamento distinto da China em relação ao Brasil, já que eles também estão inspecionando cargas de outros países. Além disso, a leitura que está sendo feita é que esse rigor é uma questão interna deles para mostrar à população chinesa que estão controlando a "entrada" do vírus.

Procurados para comentar a suspensão, o Ministério da Agricultura disse que não se pronunciaria sobre o caso e o Itamaraty não respondeu até a publicação da coluna.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.