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Carla Araújo

Militares são alvos de piadas após fala de Bolsonaro e falam em "maluquice"

Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

11/11/2020 18h12

Por mais que as Forças Armadas tentem se dissociar do governo de Jair Bolsonaro, a história que o presidente vem escrevendo em seu governo tem acumulado capítulos que constrangem os militares.

A fala de Bolsonaro, de que poderia usar "pólvora" como suposto meio de negociação com os Estados Unidos, não foi endossada pelos militares, tanto da ativa quanto da reserva. Mais do que isso, ela foi considerada "pura retórica" e "maluquice".

No dia seguinte à fala "exagerada" do presidente, como classificou um auxiliar do presidente, os militares acabaram virando alvo de piadas e memes, que muitas vezes tentavam ridicularizar o trabalho do Exército.

Pelas pesquisas internas do quartel-general, o Exército é tido como um das instituições mais confiáveis e respeitadas por quase 80% da população brasileira, mesmo que, em brincadeiras e piadas, a sociedade esteja ridicularizando as deficiências do aparato de defesa do país. Como consequência prática da fala do presidente, é possível que essa aprovação sofra uma queda nas próximas avaliações.

Militares ouvidos pela coluna minimizaram as críticas e disseram que estão "acostumados" com brincadeiras, já que "o país tem uma cultura de paz". Além disso, eles mesmos admitiram que uma suposta guerra do Brasil com os Estados Unidos "não duraria cinco minutos".

"Os Estados Unidos não precisariam nem invadir a Amazônia, onde a nossa capacidade de resistência é maior. Bastava um bombardeio leve no Rio e outro em São Paulo para acabar o conflito em cinco minutos", explicou um militar, que despacha no Planalto. "Mas é um cenário tão surreal que até em pensamento é absurdo", completa.

Oficialmente, a ordem entre os militares é de silêncio e evitar polemizar ainda mais. "Temos preocupações mais importantes", disse um general, citando a situação do Amapá, que sofre consequências do apagão de energia e que tem recebido suporte das Forças Armadas.

General desautorizado

Outro recente episódio demonstra que o presidente deveria ter mais cuidado com a reputação das Forças Armadas. Quando Bolsonaro desautorizou o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, que teve que recuar após anunciar compra de vacinas, a situação do general ficou bastante desgastada entre os pares.

Um general, que não faz parte do governo, mas conhece Pazuello, falou à coluna, sob condição de anonimato, que o ministro da Saúde estaria "envergonhado". "Parte expressiva do generalato, incluindo o general Mourão, são da tese de que ele deveria sair do governo", disse.

Pazuello, por enquanto, mantém a linha de "um manda e outro obedece" e parece não querer sair nem do governo nem do Exército. O ministro retornou nesta quarta-feira ao trabalho e evitou a todo custo se envolver em polêmicas sobre a vacina e falar com a imprensa.