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Carla Araújo

Gestão de Pazuello incomoda Exército, e militares veem mancha em biografia

O general Eduardo Pazuello - Valter Campanato/Agência Brasil
O general Eduardo Pazuello Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

25/11/2020 14h10Atualizada em 25/11/2020 14h16

Alvo de críticas de especialistas e em setores da política, o ministro Eduardo Pazuello começou a ter sua gestão à frente do Ministério da Saúde questionada também entre os militares.

Nos bastidores da caserna, há quem defenda que é o momento do ministro seguir a doutrina militar e tomar uma decisão. Praxe que, inclusive, é citada pelo presidente Jair Bolsonaro: "melhor uma decisão mal tomada do que uma indecisão". Essas altas patentes falam que chegou a hora de Pazuello oficializar sua ida para a reserva.

Há incômodo - de generais a soldados - em ver que Pazuello ainda possui a farda verde-oliva. "Ele deveria pedir reserva", é a frase direta de diversos generais ouvidos pela coluna.

A decisão é individual e não há muito o que o comandante do Exército, general Edson Pujol, possa fazer. Pazuello está respaldado pela lei, tem o direito de servir à Presidência e pedir licença do Exército.

Pazuello assumiu a pasta de forma interina em abril, foi efetivado em plena pandemia do coronavírus e agora se transformou apenas em um "cumpridor de missão" ou de ordens do presidente. Mesmo que elas politizem um assunto de saúde pública.

"O cargo é político, uma vitrine. (a atuação e críticas) Já estão e vão respingar nas Forças Armadas, no Exército particularmente. E isso não é bom", disse um coronel.

"Especialista em logística"

A pressão por uma definição do ministro aumentou com o episódio dos testes para a detecção do coronavírus encalhados em um galpão de Guarulhos (SP). Na avaliação de militares ouvidos pela coluna, o caso mancha a biografia do ministro diante da pandemia e os indícios de que a segunda onda já está se tornando uma realidade.

Alguns lembram que boa parte dos testes foi comprada nas gestões passadas. Mas reconhecem que, como ministro, ele deveria ter organizado a pasta para não cometer atos que prejudiquem a população ou os cofres públicos.

Quando chegou ao ministério, que assumiria de forma temporária, Pazuello teve justamente a experiência de logística destacada por seus pares.

Muitos ainda salientam que o general tem qualidades no currículo, mas avaliam que a "obediência ferrenha" a Bolsonaro tem levado o ministro a entregar resultados ineficientes durante a pandemia.

O Exército acompanha a atuação do ministro, tem auxiliado o governo em diversas frentes de ações durante a pandemia, inclusive a produção da polêmica hidroxicloroquina, que ainda não teve eficácia confirmada.

Tentam evitar brigas políticas, fogem de polêmicas e destacam o trabalho de levar medicamentos e auxílio a comunidades carentes em grotões do país.

"Quem está no plano-piloto (em Brasília), nos Jardins (em São Paulo) ou em Ipanema (no Rio de Janeiro) não vê a atuação do Exército Brasileiro, mas quem está no Amapá, na Amazônia e em diversos lugares distantes do país sabe do trabalho que é feito", diz um general da ativa.

Dentro da caserna repetem que "todos ali são experientes em logística" e que Pazuello hoje não faz parte de um deles.

Enquanto tenta reforçar diariamente internamente e também para a população, repetindo outra máxima de que "se trata de uma instituição de Estado e não de governo", o Exército aguarda agora o pedido de saída de Pazuello.