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30% dos caminhoneiros autônomos no Brasil são desbancarizados, diz pesquisa

Sem dinheiro, caminhoneiros autônomos não conseguem renovar seus veículos - Marcelo Justo
Sem dinheiro, caminhoneiros autônomos não conseguem renovar seus veículos Imagem: Marcelo Justo
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

25/01/2022 07h00

Cerca de um terço dos caminhoneiros autônomos no Brasil não possui contas em banco. A taxa de 30% de desbancarizados entre os motoristas é três vezes maior do que o estimado para toda a sociedade brasileira, que possui cerca de 10% da população sem acesso ao sistema bancário.

Os dados fazem parte de um levantamento feito pela Telerisco, uma gerenciadora de riscos de transporte rodoviário, e pela a Roadcard, uma gestora de pagamento eletrônico de frete e pedágio.

A pesquisa levou em conta o banco de dados das duas empresas. A Telerisco possui cadastro com cerca de 1,5 milhão de caminhoneiros autonômocs, além de dados de transportadoras, operadores logísticos e embarcadores. Já a Roadcard tem um banco de dados de cerca de 300 mil caminhoneiros.

De acordo com o CEO da Roadcard, Felipe Dick, os caminhoneiros acabam se mantendo no mercado informal e sem acesso a bancos por conta da dificuldade de comprovar renda, já que muitos recebem via carta-frete, modalidade de pagamento proibida por lei, mas ainda utilizada no país.

"A carta-frete não serve como comprovante de renda por ser uma espécie de 'vale' entregue ao motorista, que ele deve ir trocando por combustível, alimentos entre outros em postos conveniados", diz. "Sem comprovação de renda, muitos autônomos não conseguiram ter acesso a produtos financeiros", completa.

Governo tem promessas

Convivendo com ameaças de greve e para tentar agradar parte da categoria que o apoiou em 2018, o presidente Jair Bolsonaro tem feito promessas de ajuda aos caminhoneiros.

Segundo o ministério da Infraestrutura, a bancarização é um dos objetivos do governo que trabalha para ampliar a formalização no setor e deve regulamentar até março o DT-e (Documento Eletrônico de Transporte), que foi aprovado na Câmara e no Senado no ano passado.

Para o CEO da Roadcard, o uso do DT-e pode ajudar a mudar o cenário de baixo acesso ao sistema bancário. "Existem 1,5 milhão de caminhoneiros autônomos no Brasil e o DT-e servirá como carta-creditícia, uma comprovação de renda, possibilitando antecipação de crédito e acesso a serviços financeiros de prateleira", afirma.

Incentivo ao empreendedorismo

Não há um número oficial de motoristas autônomos. No Ministério da Economia, por exemplo, os dados mostram um universo um pouco melhor do que o levantado pelas empresas.

"Alguns estudos indicam que cerca de 1,2 milhão de transportadores autônomos continuam na informalidade e, muitos deles, têm dificuldade de atuação devido à falta de emissão de notas fiscais", diz o Subsecretário de Micro e Pequenas Empresas, Empreendedorismo e Artesanato do Ministério da Economia, Henrique Reichert.

O secretário salientou que o governo tem incentivado o empreendedorismo para formalizar os caminhoneiros. No último dia do ano passado, o presidente Jair Bolsonaro sancionou o chamado MEI-Caminhoneiro, que visa facilitar a inclusão dos caminhoneiros no regime previdenciário.
"Com a formalização via MEI, os transportadores vão emitir notas fiscais e também obter benefícios de seguridade e de aposentadoria", disse, em nota.