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Carla Araújo

REPORTAGEM

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Lula não vai enganar nem prestar contas ao mercado, dizem aliados

9.fev.2022 - Lula durante entrevista para a rádio Brasil Campinas - Reprodução/YouTube
9.fev.2022 - Lula durante entrevista para a rádio Brasil Campinas Imagem: Reprodução/YouTube
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

17/02/2022 07h00

Cercado por diferentes alas do PT e com reuniões constantes com a Executiva do partido, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem traçado como pretende desenvolver sua relação com o mercado financeiro na campanha eleitoral deste ano.

A decisão é que não é a hora de Lula falar com os investidores agora, mas isso não significa que membros do partido não possam estreitar a relação para tentar minimizar o receio ou a desconfiança do mercado com um eventual novo governo do petista.

Alguns deputados petistas, como Rui Falcão (SP) e José Guimarães (CE), por exemplo, já tiveram encontros com o banco de investimentos Modal e com a XP, respectivamente. Outros membros que compõem a comissão da Executiva Nacional também têm mantido conversas com agentes do mercado para levar a mensagem do ex-presidente.

Nesta semana, em entrevista ao programa "GloboNews Miriam Leitão", o presidente do BC (Banco Central), Roberto Campos Neto, avaliou que o mercado financeiro passou a ser menos receoso em caso de mudança de governo como resultado da eleição de outubro.

Sem carta ao povo brasileiro

A ideia de repetir um gesto como a Carta ao Povo brasileiro de 2002 está descartada. O argumento é de que a realidade é completamente diferente e hoje todos conhecem quem é Lula e o que o governo dele já fez.

Nas palavras de um auxiliar de Lula, o petista "não vai prestar contas ao mercado", pois foi durante seu governo, em 2008, por exemplo, que o Brasil conquistou o chamado grau de investimento (espécie de "selo de qualidade" que indica que o país é um destino seguro para os investidores).

Na ocasião, Lula comemorou o feito e disse que o Brasil vivia um "momento mágico". O então ministro da Fazenda Guido Mantega, que hoje é um dos auxiliares da pré-campanha do petista, disse que o Brasil havia entrado para o "clube" dos países "mais respeitados e sérios" do mundo.

Em 2015, no entanto, com o governo da ex-presidente Dilma Rousseff já em crise, Lula minimizou a decisão da agência de risco Standard & Poor's de rebaixar a nota de crédito do Brasil, fazendo o país perder o seu "grau de investimento". "Isso não significa nada", disse à época. "Significa que apenas a gente não pode fazer o que eles querem. A gente tem que fazer o que a gente quer", afirmou Lula.

Pobres no Orçamento e IR para ricos

Lula tem declarado, em recentes entrevistas, que o seu programa econômico terá como premissa "colocar o pobre no orçamento e, em segundo lugar, colocar o rico no Imposto de Renda".

Segundo interlocutores do ex-presidente, a ideia de aproximação gradual com o mercado tem como objetivo sensibilizar os investidores de que a situação de desigualdade no Brasil é dramática.

Lula tem dito que não quer saber de "fiscalismo", com dinheiro sobrando para alguns setores enquanto o número de pessoas passando fome cresce.

A ordem de Lula é que seus aliados aceitem os convites para falar com investidores ou dar entrevistas, mas que ressaltem que são declarações pessoais. "O ex-presidente quer falar na hora certa, sem enganar o mercado", afirmou uma fonte.

"Não vamos pedir favor a eles, mas também não vamos esconder o que estamos pretendendo fazer", disse um membro da Executiva.

Sem ministro da economia

A pré-campanha de Lula está em andamento, mas ainda não há uma coordenação organizada sobre quem de fato vai cuidar do quê.

Justamente por isso, a ordem é não falar em hipótese nenhuma sobre nomes possíveis para assumir o Ministério da Economia (ou da Fazenda e do Planejamento, se o ex-presidente decida retomar a antiga configuração das pastas caso seja eleito).

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