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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Mourão não vai rebater crítica de Bolsonaro: "assunto resolvido"

14.fev.2022 - Presidente da República Jair Bolsonaro transmite o cargo da Presidência da República ao Vice-Presidente Hamilton Mourão, por ocasião da Viagem Oficial para Moscou/Rússia - Alan Santos/PR
14.fev.2022 - Presidente da República Jair Bolsonaro transmite o cargo da Presidência da República ao Vice-Presidente Hamilton Mourão, por ocasião da Viagem Oficial para Moscou/Rússia Imagem: Alan Santos/PR
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

25/02/2022 12h20

O vice-presidente Hamilton Mourão não pretende rebater as críticas feitas pelo presidente Jair Bolsonaro em relação à sua postura sobre o conflito entre Rússia e Ucrânia. Segundo auxiliares do vice-presidente, a ordem é não falar mais sobre o tema. "Assunto resolvido", disse uma fonte.

A avaliação feita por Mourão é de que ampliar o desgaste com o presidente, ainda mais em um assunto tão sério como uma guerra e diplomacia, não trará vantagem a nenhum dos lados.

O vice-presidente, que costuma conversar com jornalistas na chegada do Palácio do Planalto, nesta sexta-feira (25), evitou contato com a imprensa.

Mourão e Bolsonaro costumam ter posições divergentes em diversos temas e o vice-presidente mantém conversas com embaixadores e membros da comunidade internacional, mesmo sem o apoio do presidente para isso.

O "casamento" entre presidente e vice está perto do fim já que Bolsonaro avisou ao vice que não repetirá a chapa de 2018 agora em 2022.

Mourão, porém, quer evitar ainda mais conflitos já que pretende usar a figura do presidente nas eleições de outubro, quando se candidatará a uma vaga no Senado pelo Rio Grande do Sul.

O vice-presidente tem filiação no Republicanos marcada para o próximo dia 16. O partido, que até então marchou junto com o presidente, avalia se manterá a aliança com Bolsonaro.

Bolsonaro desautorizou o vice

Ontem, durante sua live semanal, Bolsonaro desautorizou Mourão a falar em nome do governo sobre a crise que atinge o Leste Europeu e disse que somente o presidente da República deve se manifestar sobre o assunto.

"Deixar bem claro. O artigo 84 da Constituição diz que quem fala sobre assunto é o presidente. E o presidente chama-se Jair Messias Bolsonaro. E ponto final. Com todo respeito à essa pessoa que falou isso, e eu vi as imagens, falou mesmo, está falando algo que não deve. Não é de competência dela. É de competência nossa", disse.

Em conversa com jornalistas, Mourão havia defendido a soberania da Ucrânia e apoiado o uso da força na região para conter os russos. Além disso, comparou o presidente Putin ao ditador alemão nazista Adolf Hitler (1889-1945).

"O mundo ocidental tá igual ficou em [19]38 com o Hitler, na base do apaziguamento, e o Putin não respeita o apaziguamento", afirmou ele a jornalistas na manhã de ontem. "O Brasil não está neutro. O Brasil deixou muito claro que respeita a soberania da Ucrânia", disse o vice.