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Carla Araújo

REPORTAGEM

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Com aprovação da MP do Auxílio, novo ministro palaciano passa em 1º teste

Jair Bolsonaro e Célio Faria Júnior, ex-chefe de gabinete do presidente e atual ministro da Segov - Reprodução
Jair Bolsonaro e Célio Faria Júnior, ex-chefe de gabinete do presidente e atual ministro da Segov Imagem: Reprodução
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

27/04/2022 20h23

Homem de confiança do presidente Jair Bolsonaro (PL), o atual ministro da Secretaria de Governo, Célio Faria Junior, teve o seu primeiro teste no cargo durante a votação da MP (Medida Provisória) que instituiu o Auxílio Brasil de R$ 400.

Editada em dezembro, a medida, aprovada nesta quarta-feira (27) pela Câmara por 418 votos a 7, perderia a validade em meados de maio.

Com a possibilidade de a MP caducar se aproximando, o governo iniciou as articulações para a aprovação da medida, apontada como fundamental bandeira eleitoral de Bolsonaro e dos parlamentares da base aliada.

No Congresso havia um movimento - tanto da oposição como da base aliada - em tentar aumentar o valor pago no Auxílio Brasil. Alguns parlamentares queriam elevar o benefício para R$ 600.

O desafio do governo - e a missão de Célio - era conseguir aprovar a MP sem alteração no valor do benefício, já que qualquer elevação teria potencial de criar um desgaste político para Bolsonaro nas eleições.

A impossibilidade legal de ampliar benefícios em ano eleitoral faria com que Bolsonaro tivesse que vetar a medida se a Câmara aprovasse o aumento. E o presidente não queria para si o problema de explicar ao eleitor porque barrou um aumento de um benefício para pessoas necessitadas.

A aprovação da MP estava sendo considerada no Palácio do Planalto e no Congresso como o primeiro grande teste de Célio Faria Junior como ministro da articulação de governo, cargo que ocupa desde 31 de março, após a saída da deputada Flávia Arruda (PL) para concorrer nas eleições de outubro.

Célio, que antes de assumir o ministério era chefe de gabinete de Bolsonaro, sempre teve influência no governo e tinha uma boa relação com parlamentares, mas ainda não tinha oficialmente a atribuição de cuidar da articulação e das famosas liberações de emendas.

À coluna, o ministro afirmou que não está no cargo "para ser testado". "Sempre trabalhei, como servidor público, para servir ao povo brasileiro. Isso não foi trabalho meu, foi trabalho de todo o governo, orientado pelo Presidente Bolsonaro, bem como do Poder Legislativo", disse.

Apelo a Lira e escolha de Roma

Na última segunda-feira (25), o ministro teve uma reunião com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e com o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI), para tratar do assunto.

Na conversa, segundo apurou a coluna, Faria Junior pediu o empenho de Lira para que a matéria fosse pautada e articulou a escolha do ex-ministro da Cidadania, João Roma (PL-BA), para relatar mudanças na medida.

Célio Faria chegou a ir pessoalmente à Câmara conversar com parlamentares no início da semana e junto com Roma, que era ministro da Cidadania quando a medida foi editada e é pré-candidato ao governo da Bahia, conseguiu reunir mais dos que os votos necessário para evitar esse problema, que poderia ser uma bomba eleitoral para Bolsonaro, mas também atingiria os deputados e senadores.

"São 18 milhões de famílias que dependem do auxílio que agradecem a iniciativa do presidente Bolsonaro referendada pela Câmara dos Deputados. Isso que importa", disse o ministro.

O texto ainda precisará ser aprovado no Senado e, segundo o ministro, a expectativa é que os senadores terão "a mesma referenda em benefício dos mais necessitados". "Por enquanto (foi aprovado) até a Câmara, mas certo que o Senado fará também um excelente trabalho", disse.