José Paulo Kupfer

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Opinião

Inflação sob controle levará a mais pressão por cortes nos juros

A inflação de alimentos puxou a alta do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), em novembro, mas mesmo assim, veio um pouco abaixo das previsões. Subindo 0,63% no mês passado, a variação de preços da alimentação respondeu por quase metade da elevação de 0,28% na inflação de novembro, divulgada nesta terça-feira (12), pelo IBGE.

Com altas previstas abaixo de 0,5% em dezembro, a inflação caminha para fechar 2023 nas vizinhanças de 4,5%. Se confirmada a previsão, a variação dos preços, medida pelo IPCA, encerrará o ano dentro do intervalo de tolerância do sistema de metas, depois de dois anos consecutivos de estouro do teto. O teto do intervalo, para 2023, está fixado em 4,75%.

Tendência de queda no médio prazo

Projeções para dezembro sinalizam alta sazonal na variação mensal, com a inflação no mês ficando nas vizinhanças de 0,4%. Várias indicações, nos resultados de novembro, e nas projeções para dezembro, apontam tendência de queda da inflação, no médio prazo.

Pode-se prever, em razão disso, aumento das pressões para que o Copom (Comitê de Política Monetária) acelere o ritmo dos cortes nas taxa básica de juros (taxa Selic), logo nas primeiras reuniões de 2024.

A expectativa entre os analistas é de que o colegiado formado pelos diretores do Banco Central, já no comunicado do encontro desta quarta-feira (13), ou no de fins de janeiro de 2024, retire a menção de que manterá o ritmo de redução em 0,5 ponto percentual, nas reuniões seguintes, indicando, com essa supressão, aumento no ritmo dos cortes.

Com a previsão de mais uma redução de 0,5 ponto percentual na Selic, em dezembro, a taxa básica de juros deverá terminar 2023 em 11,75% ao ano. Para 2024, as expectativas do momento são de que a Selic fechará o ano em 9,25%, mas já há apostas de que ficará mais perto de 8% anuais.

Coração da inflação no centro da meta

A informação do IPCA de novembro que mais chamou a atenção para a defesa de um aumento no ritmo de cortes da taxa Selic veio da média dos núcleos de inflação. Os núcleos captam as altas de preços, sem a influência de elevações inesperadas, normalmente voláteis ou típicas do período em que os preços estão sendo coletados.

O coração da inflação, em novembro, subiu apenas 0,18%. Caiu de 4,72%, no acumulado em 12 meses, para 4,56%, já dentro do intervalo do sistema de metas. A média móvel de três meses dos núcleos, um indicador mais estrutural das tendências inflacionárias, desceu, em novembro a 3,2%, batendo com o centro da meta para 2023.

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Também o índice de difusão — que registra o número de bens e serviços, nos quase 400 itens que compõem a cesta do IPCA, com aumentos no mês — recuou em novembro. Pouco mais da metade dos itens (51,7%) subiram de preço, abaixo da média histórica do índice de difusão que é de 62%.

Preços em serviços mostram freio na atividade

Preços de serviços menos voláteis — excluídos, portanto, passagens aéreas, transporte por aplicativos, hospedagem e pacotes turísticos, entre outros — estão comportados. Em novembro, os chamados serviços subjacentes registraram alta de 0,27%.

É um sinal a confirmar que a atividade econômica está com o freio puxado, embora o mercado de trabalho, em desaceleração, ainda absorva mão de obra, e mantenha massa salarial aquecida.

A alimentação, que geralmente sobe em dezembro, segundo as projeções de Fabio Romão, experiente especialista em acompanhamento de preços da influente LCA Consultores, teria alta próxima de 0,75% no último mês do ano. Confirmada a projeção, o item mais importante do IPCA, pelo peso no índice e no orçamento das famílias, sobretudo as de menor renda, mostraria recuo de 1,08% em 2023.

No INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que capta as variações de preços nos orçamentos de famílias com renda até 5 salários mínimos (no IPCA, são rendas até 40 salários mínimos), e no qual o peso da alimentação é ainda maior do que no IPCA, a variação de preços não passou de 0,1%, em novembro. No ano, a alta está em 3,14%, com elevação de 3,85%, no acumulado em 12 meses.

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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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