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Acidente em MG: Como um avião pode se desintegrar no ar?

Na manhã do domingo (28), um avião caiu em Itapeva (MG), resultando na morte das sete pessoas que estavam a bordo. Segundo o Corpo de Bombeiros, pessoas relataram que a aeronave se desintegrou no ar, e seus pedaços caíram aos poucos no solo.

Vídeos mostram o que seriam pedaços do avião caindo espalhados, distantes do ponto da queda.

Como avião pode se desintegrar no ar?

Poucas situações podem causar uma desintegração no ar de uma aeronave. Uma das mais evidentes seria um impacto ou explosão, mas essas são questões que não envolvem o avião em si.

Existem três principais fatores que podem fazer com que uma aeronave tenha uma ruptura estrutural extensa em pleno voo. Segundo Rogério Pinto Ribeiro, professor aposentado do curso de engenharia aeroespacial da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e professor do portal de engenharia aeronáutica, são eles:

  • Falha no material: Algum material pode ter se deteriorado por fadiga ou ter sido fabricado com defeito.
  • Falha na manutenção ou fabricação: Alguma falha na inspeção do avião pode deixar passar um problema que pode se tornar crítico durante o voo. Ainda, o avião pode ter sido fabricado com alguma falha no projeto.
  • Exceder o limite operacional do avião: Acontece quando se pilota a aeronave além dos limites para os quais ela foi fabricada. Por exemplo, ao se tentar fazer uma curva muito fechada, se impõe um fator de carga muito maior do que aquele para o qual a aeronave foi projetada.

Em casos muito raros, diz Ribeiro, ainda é possível que fatores atmosféricos extremos também possam causar problemas. Os aviões evitam entrar em algumas situações de intensa turbulência, mesmo sendo projetados para isso.

Mas não quer dizer que qualquer turbulência pode causar problema ao voo. "Os aviões são projetados para essas turbulências normais que acontecem na atmosfera. Não há nenhum risco. Às vezes, o passageiro se assusta que vê a ponta da asa balançando, mas isso é bom, pois a aeronave é projetada para que tenha essa deformação. Se ela fosse rígida, seria impossível voar nela", afirma o engenheiro.

Ribeiro ainda destaca que não é possível afirmar que qualquer uma dessas hipóteses se aplicam ao que aconteceu em Minas Gerais no fim de semana. "É preciso aguardar as investigações para entender o que aconteceu de fato naquele acidente", diz o engenheiro.

O avião não tinha permissão para táxi aéreo, mas estava em situação regular para voos. A aeronave, de matrícula PS-MTG, foi fabricada em 1996 pela Piper Aircraft. Segundo dados da Anac, o avião tinha capacidade para seis pessoas. Segundo a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), a aeronave pertencia e era operada pela Credfranco, uma promotora de crédito consignado com sede em Belo Horizonte e filiais em sete estados e no DF. O avião partiu de Campinas (SP) e tinha como destino Belo Horizonte (MG).

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