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MPF pede nova suspensão de concurso público da PF por causa da pandemia

Sede da Polícia Federal, em Brasília. Concurso público para o órgão já foi adiado uma vez - Marcelo Camargo/Agência Brasil
Sede da Polícia Federal, em Brasília. Concurso público para o órgão já foi adiado uma vez Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Do UOL, em São Paulo

18/05/2021 11h37Atualizada em 18/05/2021 19h19

O MPF (Ministério Público Federal) ingressou com ação na Justiça Federal pedindo para que seja suspensa a aplicação das provas do concurso da Policial Federal marcadas para o próximo domingo (23).

A medida, segundo o MPF, visa proteger a saúde de candidatos, dos profissionais envolvidos na aplicação das provas e da sociedade como um todo diante do grave cenário da pandemia do coronavírus no país.

O concurso da PF já foi adiado uma vez por causa da pandemia. As provas que deveriam ter sido aplicadas em 21 de março foram remarcadas para este domingo. Ao todo são 1.500 vagas para os cargos de escrivão, agente, delegado e papiloscopista da Polícia Federal.

Para o MPF, há possibilidade de que na aplicação da prova da PF sejam repetidas as aglomerações já registradas em outro concurso também organizado pelo Cebraspe (Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos).

No pedido, o MPF afirma que o concurso tem 321.014 candidatos inscritos, o que representa risco de "alastramento em larga escala do vírus" e de colapso do sistema de saúde público.

O MPF pede também que o Cebraspe seja intimado a explicitar quais foram as medidas de segurança sanitária adotadas na primeira fase do concurso da PRF (Polícia Rodoviária Federal), realizada em 9 de maio.

A ação ajuizada na Justiça Federal aponta que houve desrespeito às medidas de distanciamento social vigentes em diversos estados, bem como recomendadas pelo Ministério da Saúde. Imagens registradas por candidatos mostraram aglomerações em locais de provas sem qualquer tipo de fiscalização por parte da entidade organizadora.

O UOL entrou em contato por e-mail com a assessoria de imprensa do Cebraspe, mas não obteve retorno até a publicação deste texto.

Candidato pode fazer prova mesmo com sintoma de covid

A organizadora, em manual divulgado a candidatos dos dois concursos, da PF e PRF, admite a possibilidade de pessoas com sintomas de infecção realizarem a prova. De acordo com o documento, candidatos que comparecem ao local de prova com febre realizam a prova em sala especial juntamente com outros candidatos na mesma situação.

"Ocorre que colocar em uma mesma sala diversos candidatos que apresentem sinais de febre pode colocar em risco candidatos que não estejam infectados, além de colocar em risco os funcionários responsáveis pela aplicação das provas", afirmou o procurador da República Oscar Costa Filho, autor da ação.

O procurador considerou "extremamente danosas à saúde pública" quaisquer iniciativas que promovam aglomerações de indivíduos, potencializando a disseminação em massa da doença.

"Eventos massivos, a exemplo de concursos públicos nacionais, que podem reunir, em um mesmo ambiente, dezenas de milhares de candidatos, representam imenso risco à vida de candidatos, seus familiares, bem como de toda a sociedade", declarou Costa Filho.

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