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Dólar pode chegar a R$ 4,50, dizem analistas; veja dicas sobre o que fazer

Sophia Camargo

Colaboração para o UOL, em São Paulo

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Com o dólar em alta, a situação ficou apertada para quem precisa da moeda para viajar a passeio ou estudar no exterior.

A alta da moeda também desperta o interesse de investidores, que querem saber se vale a pena comprar dólar como aplicação financeira, ou, até mesmo, de quem tem a moeda e quer lucrar com a venda.

Para Mauro Calil, especialista em investimentos do banco Ourinvest, e Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da TOV Corretora, a tendência da moeda é de alta. "O dólar pode chegar a R$ 4,20 até o fim do ano", diz Calil. Silveira acredita que a moeda pode subir mais ainda: R$ 4,50.

Ambos os especialistas aconselham: para quem precisa de dólar, o melhor é comprar a moeda de uma vez. "Os motivos que estão fazendo o dólar subir --crise política e crise econômica-- não devem melhorar no curto prazo. É quase certeza que o dólar continue a aumentar", diz Silveira.

Moeda já se valorizou 68% em um ano

Quem vai viajar agora não tem muita opção: vai ter de pagar caro. Afinal, em um ano, a moeda norte-americana já se valorizou 68%. "Estava R$ 2,37 em 21 de setembro do ano passado. Nesta segunda-feira (21), atingiu R$ 3,99", afirma Silveira.

Para quem não tem necessidade de fazer uma viagem ao exterior, o conselho é adiar a viagem ou trocar por um destino que também tenha desvalorizado sua moeda, tal como a Argentina.

Calil e Silveira não aconselham o investimento na moeda, pois afirmam que o dólar não é investimento, mas especulação. "Quem comprou dólar a R$ 4 em 2002 perdeu dinheiro. De lá para cá, a inflação foi superior a 80%. Isso significa que o dólar tinha de estar valendo R$ 7 para empatar com a inflação da época. Se tivesse investido em juros, teria recebido inflação mais 6% ao ano", diz Silveira.

Sete dicas para o dólar

1) Devo comprar dólar?
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Deve comprar quem terá alguma despesa em dólar, como viagem de lazer ou estudos, ou dívidas em dólar. Como a tendência é de alta, Silveira e Calil aconselham comprar o valor total das despesas na moeda o mais rápido possível.

Calil diz que a compra única ajuda a economizar nas taxas cobradas. Silveira diz que vale até pegar um empréstimo consignado, a juros baixos, para comprar a moeda e evitar o risco de o câmbio subir ainda mais. "Tudo para evitar o risco cambial", diz.

2) Devo investir em dólar?
Arte/UOL

Dólar não é investimento, afirma Calil. "Ou o dólar valoriza ou desvaloriza. Ele não rende juros, nem aluguel, nem dividendos. Não te dá uma renda passiva. Dólar é mercadoria", diz. "Se comprar o papel moeda e deixar na gaveta em casa, poderá ser roubado, poderá perder dinheiro se o papel se desvalorizar. E poderá ter problemas para comprovar a autenticidade do papel moeda."

Calil também não aconselha o investimento em fundos cambiais, pois, além de cobrar taxa de administração e Imposto de Renda, o investidor pode também perder dinheiro caso a moeda desvalorize.

Para quem quer investir na moeda, o especialista sugere a compra de certificados de operações estruturadas em dólar. Essa operação protege contra a queda e também permite ganho em caso de desvalorização da moeda. Mas é uma operação realizada com investimentos acima de R$ 10 mil e tem tempo de carência mínimo, no qual o dinheiro não pode ser retirado da aplicação.

Silveira também aconselha a não investir diretamente em dólar, mas em algum ativo ligado ao dólar. "O investidor pode comprar título do Tesouro americano, pode pensar em comprar ações na Bolsa americana, mas comprar o dólar para especular eu acho extremamente arriscado", diz.

3) Quais as perspectivas para o dólar?
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Tendência de alta. "Até o fim do ano, prevemos que a moeda atinja R$ 4,20", diz Calil. Já Silveira acredita que a moeda vai subir ainda mais e se estabilizar na faixa de R$ 4,50. "Mas a situação pode piorar ainda mais, caso o Brasil perca também o grau de investimento pelas agências Moody's e Fitch Ratings."

O país já perdeu o grau de investimento pela agência classificadora de risco Standard and Poor's.

Para Calil, a perda é quase certa. "Quem vai querer manter o grau de bom pagador quando o próprio governo admite que não tem dinheiro para fechar as contas?"

4) Tenho dólar. Vale a pena vender para lucrar?
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Só vale a pena vender se não for usar mais tarde, diz Mauro Calil. Se ainda for usar para viajar, por exemplo, fique com o dinheiro. As casas de câmbio vendem a um preço maior do que compram. É assim que elas lucram. Então, é difícil que o comprador consiga ter lucro.

Se não for usar e comprou o dólar a um preço muito mais baixo, pode vender um terço para embolsar uma parte do lucro.

Para Silveira, não vale a pena vender, pois a tendência é de alta.

5) Vou viajar. Compro dólar agora ou espero a cotação cair?
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Não é possível dizer com certeza o que vai acontecer com o dólar, mas a tendência é de alta. Se tem o dinheiro para comprar agora e a viagem está próxima, é melhor garantir. Se não tem, talvez seja uma boa ideia adiar a viagem ou mudar o destino, para que o custo da viagem caiba no bolso.

6) Comprar em dinheiro ou no cartão pré-pago?
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O IOF de 6,38% deixa o custo do dólar no cartão pré-pago bem mais alto do que do dólar em dinheiro, cujo IOF é de 0,38%. No entanto, o cartão é mais seguro e pode ser reposto no caso de roubo, perda ou furto, sem perda dos valores carregados. Se o dinheiro vivo for roubado, não há como recuperar.

A sugestão de Calil é levar de 50% a 80% do valor em espécie e de 20% a 50% em cartão pré-pago.

7) E os cuidados com o cartão de crédito?
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O cartão de crédito é a pior maneira de fazer compras em dólar, pois, além do IOF de 6,38%, o consumidor só irá descobrir quanto vai pagar pela compra no momento em que chega a fatura. Só use em emergências. "Se for fazer todo tipo de compra no cartão de crédito, a surpresa pode ser muito desagradável", diz Calil.

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