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Dólar dispara: veja dicas para quem precisa comprar a moeda

Sophia Camargo

Colaboração para o UOL, em São Paulo

  • LM Otero/AP

O dólar vinha numa trajetória de queda neste ano, mas disparou 5% nesta semana, após a vitória do republicano Donald Trump nos Estados Unidos.

Diante desse cenário, será que a tendência de alta deve continuar? Quais as orientações para quem precisa da moeda? O UOL ouviu especialistas e reuniu seis dicas. Confira.

1) Devo comprar dólar?

Só deve comprar dólar quem terá alguma despesa em dólar, como viagem de lazer ou estudos, ou dívidas na moeda norte-americana.

2) O que deve acontecer com a moeda?

A tendência é de alta, na opinião do especialista em investimentos Mauro Calil, do banco Ourinvest. Ele acredita que a moeda atinja R$ 3,70 até o fim deste ano. "Até a metade de 2017, é possível que a moeda atinja R$ 4", diz.

Leonardo Abrão, diretor da Abrão Filho Câmbio e Capitais, acredita que a moeda fique entre R$ 3,35 e R$ 3,44 até o final deste ano.

Alexandre Cabral, professor de finanças da FIA (Fundação Instituto de Administração), prevê muita incerteza para esse mercado, mas não acredita em uma cotação superior a R$ 3,50. "Acho que o Banco Central segura a cotação da moeda se ficar acima disso", diz.

3) Vou viajar. Compro dólar agora ou espero cair?

Os especialistas acreditam numa tendência de alta, mas não é possível ter certeza do que vai acontecer com o dólar. Por isso, se você tem o dinheiro para comprar a moeda agora, é melhor garantir, diz Calil. Se a viagem está próxima, também não tem outro jeito.

Se você não tem o dinheiro para comprar tudo agora, pode ir comprando aos poucos e fazer um preço médio. O ideal, segundo Leonardo Abrão, é começar uns cinco ou seis meses antes de viajar. "Se deixar para fazer o preço médio [comprar aos poucos] faltando muito pouco tempo para a viagem, a possibilidade de pagar mais caro é alta", afirma.

Também é importante fazer uma pesquisa entre as corretoras, pois o preço varia bastante.

4) Comprar em dinheiro ou no cartão pré-pago?

Comprar em dinheiro é mais barato, mas o cartão pré-pago é mais seguro. O IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) de 6,38% deixa o custo do dólar no cartão pré-pago bem mais alto do que o dólar em dinheiro, cujo IOF é de 1,10%. No entanto, o cartão é mais seguro e pode ser reposto no caso de roubo, perda ou furto, sem perda dos valores carregados. Se o dinheiro vivo for roubado, não há como recuperar.

5) Tenho dólar. Vale a pena vender para lucrar?

Só vale a pena vender se não for usar mais tarde, dizem os analistas. Se tiver a possibilidade de viajar, por exemplo, fique com o dinheiro, pois as casas de câmbio vendem a um preço maior do que compram. Se comprou a moeda a um preço baixo e não for usar, pode vender para tentar lucrar algo. 

6) Devo investir em dólar?

Dólar não é investimento, afirma Calil. "Ou o dólar valoriza ou desvaloriza. Ele não rende juros, nem aluguel, nem dividendos. Não te dá uma renda passiva. Dólar é mercadoria", diz.

Quem faz questão de ter alguma aplicação atrelada à moeda pode investir em fundos cambiais e fundos multimercados que tenham ligação com o dólar. Pode ainda operar minicontratos de dólar. Nesse último caso, é importante lembrar que se trata de renda variável e bastante arriscada, afirmam Leonardo Abrão e Mauro Calil. Quem opera minicontrato pode ganhar muito e perder muito, inclusive tendo a possibilidade de ficar endividado.

Os motivos da alta: Trump, juros e Temer

Para Mauro Calil, a disparada do dólar é reflexo da eleição de Donald Trump e suas possíveis consequências para a economia norte-americana e mundial. Segundo o especialista, os juros nos EUA estão apontando para cima porque o mercado acredita que Trump vá aumentar o endividamento do Estado para estimular a economia norte-americana, o que gera inflação. Para segurar a inflação, eles terão de aumentar os juros.

"Se os juros americanos subirem, os investidores do mundo todo vão tirar o dinheiro de países mais arriscados, como o Brasil, e colocar nos Estados Unidos, que têm risco perto de zero", diz.

Alexandre Cabral, da FIA (Fundação Instituto de Administração), aponta três motivos:

1) a eleição de Trump provocou a desvalorização do peso mexicano e, por consequência, uma desvalorização do real, com o temor de que ele possa criar barreiras à entrada de produtos estrangeiros nos EUA;

2) o banco central americano pode subir a taxa de juros já em dezembro, até mesmo antes da posse de Trump, o que levaria para os EUA recursos atualmente investidos no Brasil;

3) novos temores em relação ao cenário político no Brasil, após a denúncia de doação de empreiteira para a campanha do presidente Michel Temer. "A possibilidade de outro processo de impeachment gera extrema incerteza no mercado."

O diretor da Abrão Filho Câmbio e Capitais, Leonardo Abrão, aponta ainda o prejuízo da Petrobras como outra fonte de estresse. "A Petrobras é uma empresa que atrai muitos investidores externos para a nossa Bolsa, e tudo que acontece de negativo com ela tem efeitos sobre o real", diz.

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