PUBLICIDADE
IPCA
1,06 Abr.2022
Topo

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Por que abril está castigando a Bolsa brasileira, com queda de mais de 6%

Conteúdo exclusivo para assinantes

Rafael Bevilacqua

26/04/2022 09h32

Esta é a versão online da edição de hoje da newsletter Por Dentro da Bolsa. Para assinar este e outros boletins e recebê-los diretamente no seu email, cadastre-se aqui.

O mês de abril tem se mostrado particularmente difícil para o Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa brasileira. Em 1° de abril, o índice encerrou o pregão com alta de 1,31%, aos 121.570 pontos. Desde então, o Ibovespa acumulava perdas de quase 10 mil pontos (6,38%) até segunda-feira (25). Mas quais os motivos por trás da queda brusca da Bolsa brasileira?

Primeiramente, há os fatores externos que precisam ser levados em consideração.

Com a persistência da inflação nos Estados Unidos, representantes do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) têm adotado uma postura cada vez mais dura, dando sinais de que os juros no país podem subir para além do patamar considerado neutro ainda neste ano.

Diante da perspectiva de juros mais altos na maior economia do planeta, investidores —especialmente os estrangeiros— tendem a adotar uma postura mais cautelosa com relação a ativos que oferecem riscos mais altos, como ações listadas em Bolsas de Valores de nações emergentes.

Assim, o vigoroso fluxo de capital estrangeiro em direção à B3 observado ao longo do primeiro trimestre começa a minguar, bem como em outras partes do mundo, resultando em uma valorização do dólar com relação a uma série de moedas emergentes.

Além disso, pesa sobre o índice o recuo dos preços de uma das commodities mais relevantes para a Bolsa brasileira no mês: o minério de ferro.

Com a promessa da China de reduzir sua produção de aço em 2022 e os constantes lockdowns que têm provocado uma desaceleração da economia chinesa nos últimos meses, o preço do minério de ferro nos portos chineses tem caído significativamente.

Esse movimento prejudica as companhias brasileiras de mineração, especialmente a Vale (VALE3), que sozinha responde por 14,6% do Ibovespa.

Por fim, há os fatores domésticos, como a preocupação com a situação fiscal brasileira diante da concessão de reajustes aos servidores públicos federais e a aproximação das eleições de outubro, que já começam a entrar no radar dos investidores.

A esperança dos investidores no curto prazo é a temporada de balanços do primeiro trimestre das companhias brasileiras, que pode trazer surpresas positivas e assim interromper a sequência negativa que o Ibovespa tem vivido nas últimas semanas.

Leia no 'Investigando o Mercado' (exclusivo para assinantes do UOL Investimentos): informações sobre a compra do Twitter pelo bilionário Elon Musk, CEO da montadora Tesla.

Um abraço,

Rafael Bevilacqua
Estrategista-chefe e sócio-fundador da Levante

Queremos ouvir você

Tem alguma dúvida ou sugestão sobre investimentos? Mande sua pergunta para uoleconomiafinancas@uol.com.br.

Este material foi elaborado exclusivamente pela Levante Ideias e pelo estrategista-chefe e sócio-fundador Rafael Bevilacqua (sem qualquer participação do Grupo UOL) e tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o investidor a tomar decisão de investimento, não constituindo qualquer tipo de oferta de valor mobiliário ou promessa de retorno financeiro e/ou isenção de risco . Os valores mobiliários discutidos neste material podem não ser adequados para todos os perfis de investidores que, antes de qualquer decisão, deverão realizar o processo de suitability para a identificação dos produtos adequados ao seu perfil de risco. Os investidores que desejem adquirir ou negociar os valores mobiliários cobertos por este material devem obter informações pertinentes para formar a sua própria decisão de investimento. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, podendo resultar em significativas perdas patrimoniais. Os desempenhos anteriores não são indicativos de resultados futuros.