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Viver de renda: 5 investimentos indicados para pingar dinheiro todo mês

Quer um dia viver de renda, fazendo retiradas mensais? Veja onde investir para isso --e cuidados também - Vergani_Fotografia/Getty Images/iStockphoto
Quer um dia viver de renda, fazendo retiradas mensais? Veja onde investir para isso --e cuidados também Imagem: Vergani_Fotografia/Getty Images/iStockphoto
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Paula Pacheco

Colaboração para o UOL, de São Paulo

24/04/2022 04h00

Um bom planejamento financeiro pode garantir ao investidor a possibilidade de acumular patrimônio e chegar a viver de renda, com um bom montante no futuro para realizar algum projeto ou até mesmo contar com um dinheiro extra mensalmente. Porém, para colocar em prática o plano de ter retiradas mensais é preciso manter alguns cuidados para não colocar o patrimônio em risco.

Se você tem esse mesmo objetivo, veja logo abaixo como escolher investimentos com baixo risco para viver de renda, segundo especialistas ouvidos pelo UOL.

1. Tesouro IPCA

Entre os ativos de baixo risco recomendados pelos analistas estão os títulos do governo. Existem atualmente três opções de Tesouro IPCA com pagamento de juros semestrais (ou seja, pagamento de cupons), com vencimento em 2032, 2040 e 2055.

Uma parte da rentabilidade desses títulos de renda fixa está atrelada ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e outra, aos juros prefixados. Por serem títulos do governo, a exposição ao risco é baixa, já que a chance de calote é pequena.

Ao aplicar no Tesouro com juros semestrais, o investidor não precisa esperar até o vencimento do título para ter a remuneração contratada. Em datas pré-determinadas, a cada seis meses, será feito o pagamento do cupom.

Neste caso, a recomendação dos especialistas para quem quer ter uma renda extra é, ao ter acesso ao valor correspondente aos juros semestrais, dividi-lo em seis parcelas para poder contar com o recurso todos os meses até o próximo crédito.

2. Carteira combinada

O investidor pode também fazer uma combinação de ativos na sua carteira, segundo o seu perfil, para não só garantir a retirada mensal, mas buscar produtos financeiros que tragam ganhos maiores para o patrimônio principal.

Alexandre Brito, sócio e gestor da Finacap, sugere uma carteira combinada entre produtos de renda fixa e variável (que absorva entre 30% e 40% do total, se o perfil for mais agressivo).

Na simulação abaixo, o especialista mostra alguns cenários.

Tabela carteira combinada -  -

3. Ações que são boas pagadoras de dividendos

De acordo com Rosi Ferruzzi, planejadora financeira CFP pela Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar), se o objetivo for montar uma carteira de ações, deve-se priorizar as empresas que pagam bons dividendos. Isto é, que distribuem lucros aos acionistas.

Esse recurso é isento de Imposto de Renda (IR). No entanto, ela afirma que o investidor precisa conhecer quando a empresa distribui os dividendos. Por lei, se estiver em seu estatuto social, será no mínimo uma vez ao ano. E muitas empresas distribuem mensalmente.

Já Guilherme Tiglia, sócio e analista da Nord Research, diz que quem escolhe a opção de investir em empresas em busca da renda constante com seus dividendos deve lembrar que são poucas aquelas que têm a política de fazer pagamentos mensais.

"Ao montar uma carteira diversificada, com boas empresas pagadoras de dividendos, pode ser natural ter companhias que pagam em épocas diferentes do ano", declara Tiglia.

4. Fundos imobiliários

Tiglia afirma que o investidor tem ainda outras opções para atender ao objetivo da renda extra. "Para quem quiser mais previsibilidade e recorrência nesse sentido, a opção do investimento em FIIs [fundos de investimento imobiliário] possa fazer mais sentido", declara o analista da Nord Research.

As opções em FIIs permitem ao investidor, o chamado cotista, ter uma pequena parte de imóveis e receber, todos os meses, um valor proporcional à cota relativa ao aluguel pago pelo locatário do empreendimento.

Ao contrário do aluguel de uma casa, um apartamento ou um pequeno ponto comercial, os FIIs possibilitam o acesso do investidor a prédios comerciais, shoppings, galpões comerciais e até instituições de ensino. Isso sem a burocracia de pagamento de aluguel, energia elétrica, condomínio, gás, água, internet etc.

Antes de definir em qual fundo fazer o aporte, é necessário avaliar se o produto imobiliário tem solidez e se está sendo negociado abaixo do potencial de mercado (com desconto), para que haja a oportunidade de ganhar não apenas com a remuneração mensal, mas também com a sua valorização.

5. CDBs e Tesouro Selic

Para o analista da Nord Research, quem pretende ter uma parte dos investimentos disponíveis para saques mensais deve considerar algumas opções em renda fixa, como os CDBs (Certificados de Depósito Bancário) de boas instituições ou Tesouro Selic.

Ele afirma que é sempre importante lembrar da importância da liquidez da carteira para atender ao planejamento das retiradas constantes.

O que considerar antes

Rosi Ferruzzi diz que, antes de direcionar os recursos para uma aplicação, é necessária uma análise que leve em consideração os seguintes pontos:

  • Faça um bom planejamento financeiro que permita entender em que momento da vida se está, quais são os projetos e o como irá conquistá-los para viver de renda;
  • Leve em consideração o valor da renda que será adequado ao padrão de vida pretendido e se ele servirá como complemento à aposentadoria do INSS ou de um plano de previdência complementar tipo PGBL ou VGBL;
  • Defina depois de quanto tempo se pretende alcançar o objetivo;
  • Se não tiver nenhum valor investido, será preciso mais tempo para alcançar o montante ideal para viver de renda;
  • Por isso, comece o quanto antes para aproveitar o prazo e multiplicar o capital investido por meio da incidência dos juros compostos

A planejadora financeira faz ainda outras sugestões para quem pretende ter uma renda extra todo mês.

  • Conheça o seu perfil de risco do investidor para permitir uma carteira de investimentos compatível --alcançar retornos maiores implica em correr mais riscos;
  • Saiba quais são os custos envolvidos nos investimentos, como Imposto de Renda, taxas de corretagem, taxas de custódia, taxa de administração, pois impactam no retorno esperado;
  • Busque por investimentos com ganho real, ou seja, o retorno acima da inflação para não perder o poder de compra ao longo do tempo;
  • Leve em consideração o aumento de expectativa da população e o tempo que será preciso continuar a gerar a renda extra

Tiglia lembra também de outras duas dicas: constância e visão de longo prazo. "Nada mais poderoso do que aportes periódicos e tempo jogando a seu favor. É o dinheiro trabalhando a seu favor", declara.

Como não gastar todo o dinheiro

Para não zerar o patrimônio com as retiradas mensais, Ferruzzi diz que "é preciso manter o valor investido que possa remunerar acima da inflação e, ao longo do tempo, não perder o poder de compra e assim durar mais um tempo".

Em sua simulação, Rosi mostra que um investidor que acumulou R$ 415.757,59 ao final de 15 anos. Se ele começar, a partir daí, a fazer retiradas mensais de R$ 3.000, ele terá zerado seu patrimônio ao final de 138,6 meses (ou 11,5 anos).

Por isso é fundamental definir, antes de começar a investir, se o objetivo será ter as retiradas constantes com foco em liquidar o valor acumulado ao longo do tempo ou se a meta é preservar parte do dinheiro.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.