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Dólar a R$ 5,20: o que está acontecendo? Vai subir mais?

O dólar encostou nos R$ 5,20 hoje, depois de fechar acima de R$ 5,15 por três dias seguidos. R$ 5,162, leve queda de 0,14%, por volta das 13h30, mas chegou a bater R$ 5,22. Dados de emprego nos EUA e a consequêcia para os juros explicam essa alta.

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Dados dos EUA afetam juros

Essa semana, diversos dados de emprego dos EUA foram divulgados. O Payroll, relatório de empregos e um indicador importante analisado pelos investidores, foi publicado hoje, 6.

Os dados mostram que a economia americana continua forte, apesar do aperto monetário do Fed, o banco central americano. Os juros são usados pelos bancos centrais para desacelerar a economia e, consequentemente, a inflação. "Como temos visto, um dado que mostra mercado de trabalho resiliente deverá ser lido com maus olhos, ao indicar que a economia americana segue aquecida - justificando, portanto, juros potencialmente ainda mais altos", diz Rachel de Sá, chefe de economia da Rico. "Mercado esperava uma desaceleração da economia americana, o que não aconteceu. Então é um dado bem ruim (para juros e câmbio)", diz Gabriel Meira, economista e socio da Valor Investimentos.

Por isso, esses dados mostram que o Fed pode continuar com o ciclo de alta dos juros. A opinião de alguns especialistas é que os juros americanos devem continuar subindo. "Apostamos que o ciclo de baixa deverá ocorrer apenas no final de 2024", diz Étore Sanchez, da Ativa Investimentos.

Assim, os investidores já consideram essas altas nos juros. "O ultra-forte payroll impulsionou novamente os rendimentos dos títulos do Tesouro americano para as máximas de 16 anos. As moedas de alto rendimento, como o real brasileiro, estão entre as mais impactadas já que os mercados voltaram a precificar com maior confiança outro aumento na taxa de juros dos EUA até o final do ano", diz Eduardo Moutinho, analista de mercado da Ebury.

Se os juros nos EUA estão pagando bem, os investidores levam seu dinheiro para lá. Nos Estados Unidos, os juros estão entre 5,25% e 5,5%. "Os juros americanos são a aplicação mais segura do mundo. Mesmo menores que os brasileiros, os investidores preferem ir para lá porque a expectativa é de alta", diz Claudia.

Quando entra mais dinheiro no país, a moeda local se valoriza. Por isso o dólar está ganhando força frente a quase todas as moedas do mundo. Como investidores estrangeiros estão deixando o Brasil, o real também se desvaloriza. "Todas as oportunidades de investimentos no Brasil ficam menos atrativas, da renda fixa e até da Bolsa", diz Phil Soares, chefe de análise de ações da Órama.

Juros no Brasil também afetam a moeda

A Selic também afeta o câmbio. "Quando os juros brasileiros caem, os investidores internacionais tiram dinheiro daqui para colocar nos Estados Unidos, onde a taxa ainda deve aumentar", explica Claudia Moreno, economista do C6 Bank. Na última semana, o Copom cortou a taxa básica de juros para 12,75%, segundo corte seguido.

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Ainda assim, juros reais no Brasil estão entre os maiores do mundo. O rendimento real, descontado da inflação, para o ano é de 6,40%. A taxa real do México, maior do mundo, está em 6,61%, segundo levantamento da Infinity Asset Management. que compara as taxas das 40 maiores economias.

Outro fator é a economia da China. País vive crescimento lento, desemprego recorde entre os jovens, exportações e moeda fracas, além de um setor imobiliário em crise no país oriental afetam o Brasil. A China é o maior consumidor de produtos básicos brasileiros. Se eles compram menos minérios e grãos, por exemplo, entra meno dólar aqui, conforme explica Evandro Caciano, diretor de câmbio da Trace.

E até onde o dólar pode chegar?

Deve terminar o ano abaixo dos R$ 5. Os economistas ouvidos para o último Boletim Focus, do Banco Central, acreditam que a moeda pode cair um pouco e deve chegar a R$ 4,95 ao fim de 2023. Já para 2024, a previsão é de R$ 5,02, de R$ 5,10 em 2025, e de R$ 5,20 em 2026.

Mas pode chegar em R$ 6. Para Claudia, do C6, o dólar pode subir ainda mais, principalmente por conta dos juros americanos. A expectativa é de que o Federal Reserve (Fed) faça mais altas até o término de 2023.

Goldman Sachs prevê R$ 5,15. Em relatório, o banco prevê que o dólar deve chegar a R$ 5,15 até o fim do ano. Já a Órama projeta R$ 5,10.

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O pior efeito do dólar em alta é a inflação no Brasil. Com a desvalorização do real, importar produtos fica mais caro, o que tem efeito em toda a cadeia.

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