Boris Johnson provoca polêmica ao comparar a UE com Hitler

Londres, 15 Mai 2016 (AFP) - Boris Johnson, líder do grupo favorável ao Brexit no Reino Unido, afirmou que a União Europeia se comporta como Hitler ao tentar criar um supraestado, uma declaração polêmica, considerada um "ato desesperado" pelos defensores da permanência na UE.

Em uma entrevista ao Sunday Telegraph, o ex-prefeito conservador de Londres afirmou que a história da Europa é marcada há 2.000 anos por repetidas tentativas de englobar o continente sob um único governo, uma imitação do império romano.

"Napoleão, Hitler, várias pessoas tentaram, e isso terminou de forma trágica. A UE é uma tentativa de fazer isso mesmo com métodos diferentes", declarou Johnson, a menos de seis semanas do referendo sobre a permanência ou não do Reino Unido na UE.

"Mas fundamentalmente, o eterno problema é que não existe lealdada à ideia de Europa. Não há uma única autoridade à qual todos respeitem ou compreendam. Isto está provocando um enorme vazio democrático", completou Johnson, um dos líderes do Partido Conservador do primeiro-ministro David Cameron, que defende a permanência do Reino Unido no bloco.

As declarações provocaram indignação entre dirigentes e deputados do opositor Partido Trabalhistas, que as consideraram uma tentativa "desesperada" de Johnson de convencer eleitores.

"Boris voltou a atingir o fundo ao comparar a UE com Hitler", escreveu no Twitter a deputada trabalhista Angela Rayner.

Perda de senso moralPara Hilary Benn, porta-voz de política externa dos trabalhistas, os "que militam a favor de uma saída da UE perderam o argumento econômico e agora perdem o senso moral".

Benn chamou a comparação feita por Boris Johnson de "ofensiva e desesperada".

Outra figura importante do trabalhismo, Yvette Cooper, disse que o ex-prefeito londrino pratica o "jogo sujo".

"Quanto mais utiliza este tipo de declarações histéricas, mais demonstra sua vergonhosa falha de julgamento, seu afã de fazer a política cínica e divisória e o vazio de seus argumentos", afirmou.

A Comissão Europeia optou por não comentar, mas o ministro finlandês das Finanças, Alexander Stubb, considerou a comparação "escandalosa".

"O que está acontecendo no berço do senso comum e da civilização?", questionou no Twitter.

Esta não foi a primeira declaração polêmica de Boris Johnson, que em abril foi acusado de racismo ao atribuir ao presidente americano Barack Obama uma tendência britânica por suas origens "em parte quenianas".

O excessos, no entanto, aumentam sua popularidade.

Neste domingo, Johnson recebeu o apoio de Nigel Farage, líder do partido eurocético e anti-imigração UKIP, que afirmou ao Mail on Sunday que o apoiaria como sucessor de David Cameron como primeiro-ministro.

O ex-ministro conservador do Trabalho Iain Duncan Smith, outro defensor da saída da UE, também apoiou Johnson.

Resta saber se este tipo de declaração tem algum efeito sobre o eleitorado, no momento em que os dois lados aparecem empatados nas pesquisas, com 50% das intenções de voto cada, segundo o instituto What UK thinks, que faz a média das seis pesquisas mais recentes.

Para o editorialista do jornal The Guardian Michael White, as declarações deixam Boris Johnson na mesma categoria que Donald Trump, "outra fraude intelectual da elite metropolitana, atualmente muito ocupada em tentar enganar os pobres" para obter um ganho eleitoral.

Apesar das críticas, uma pesquisa recente do Sunday Mirror e do The Independent mostrou que 45% dos entrevistados confiam mais em Boris Johnson que em David Cameron no que diz respeito às questões europeias.

mc/fp

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