Zona do euro suspende alívio da dívida da Grécia após medidas de Tsipras
Bruxelas, 14 dez 2016 (AFP) - O anúncio de medidas sociais na Grécia desagradou alguns credores de Atenas na zona do euro, que anunciaram nesta quarta-feira (14) a suspensão do alívio da dívida acertada com os gregos.
"As instituições chegaram à conclusão de que as medidas adotadas pelo governo grego não estão em consonância com seus compromissos", declarou Michel Reijns, porta-voz da presidência do Eurogrupo, para quem agora não existe "unanimidade" sobre a implementação das "medidas de curto prazo" adotadas pela zona do euro.
Os ministros dos 19 países do euro acertaram em 5 de dezembro passado medidas técnicas sobre as taxas de juros e os vencimentos de algumas parcelas da dívida grega, cujo impacto de dezenas de milhões de euros é limitado em relação aos 315 bilhões de euros do total da dívida pública da Grécia.
O Eurogrupo fez estas concessões a Atenas porque pôde completar uma nova rodada de duras reformas, exigida ao país em troca de uma série de socorros financeiros desde 2010. Atualmente, a Grécia está mergulhada em seu terceiro plano de ajuda, de 86 bilhões de euros, com uma dívida pública em torno de 180% do PIB.
Agora, tudo parece incerto com as medidas sociais anunciadas por Atenas, incluindo o restabelecimento de um bônus pago aos aposentados com pensões inferiores a 850 euros e o adiamento da elevação do IVA nas ilhas orientais do Egeu enquanto persistir a crise migratória.
Para o ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, as "instituições" --Comissão Europeia, Banco Central Europeu (BCE) e Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEDE)- - devem analisar se estas medidas de Atenas são compatíveis com os compromissos adotados com seus credores, informou seu porta-voz.
Relatório
O porta-voz da presidência do Eurogrupo revelou que é aguardado "um relatório completo das instituições em janeiro".
Após o anúncio da suspensão do alívio da dívida, a Bolsa de Atenas perdeu mais de 3%.
Depois de seis anos de socorros financeiros e cortes de gastos, a Grécia registra o maior número de desempregados da zona do euro, com 23,4% em agosto, muito distante da média de 9,8%.
Este novo episódio da crise grega chega quando os dois principais credores da Grécia, a Zona do Euro e o Fundo Monetário Internacional (FMI), divergem sobre como tirar a Grécia de seis anos de crise econômica.
A instituição econômica com sede em Washington rejeita participar financeiramente do vigente terceiro plano de ajuda - como desejam os países da Zona do Euro - caso os europeus não tratem de uma redução decisiva da dívida grega.
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