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Putin mantém em suspense se irá se candidatar novamente à presidência

Moscou, 15 Jun 2017 (AFP) - Vladimir Putin respondeu nesta quinta-feira, na TV, a perguntas de cidadãos russos sobre vários temas, como pobreza, lixões ou como ser avô, embora tenha deixado em suspense se pensa em se candidatar às eleições presidenciais de março do ano que vem.

Durante quase quatro horas, o chefe do Kremlin falou sobre os problemas cotidianos dos russos, as relações com os Estados Unidos ou até sobre seus netos, nesta transmissão cuidadosamente preparada anualmente.

A nove meses das eleições presidenciais, Putin teve o cuidado de se esquivar de perguntas sobre uma eventual candidatura ao quarto mandato.

Também só lhe foi perguntado implicitamente sobre as manifestações organizadas duas vezes em três meses por seu principal opositor, Alexei Navalny, que, na última segunda-feira, foram marcadas por mais de 1,7 mil prisões.

"Estou disposto a dialogar com todos que desejarem melhorar a vida das pessoas, solucionar problemas, e não usar as dificuldades existentes para a sua própria comunicação política", assinalou Putin.

A transmissão também foi marcada por perguntas incomumente diretas, inclusive mal-intencionadas, que apareciam na tela, enviadas por mensagens de texto: "Três mandatos presidenciais, basta!", "Quando deixarão de violar a Constituição?" ou "Quando darão o poder aos comunistas?" eram algumas delas.

O presidente não respondeu, enquanto a grande maioria das queixas deste ano girava em torno dos problemas econômicos da população do extenso país, principalmente de fora da capital: salários ínfimos, pouca experiência das autoridades locais e administração ineficaz, desastres ambientais e falta de infraestrutura.

"Ajude-nos, Vladimir Vladimirovitch! Queremos viver, e não sobreviver", reclamou uma jovem da região de Murmansk (norte), doente de câncer, diante de um hospital cuja construção nunca foi concluída.

Vários anos de crise econômica, agravada pela queda dos preços do petróleo e as sanções ocidentais relacionadas à crise na Ucrânia, reduziram o poder aquisitivo e a renda da população.

"A recessão terminou", insistiu Putin, reconhecendo, no entanto, que o número de pessoas vivendo abaixo do limite da pobreza aumentou de forma "preocupante" no país.

No ano passado, 20 milhões de russos viviam abaixo do limite da pobreza, mais de 3,5 milhões a mais do que em 2014.

- 'Asilo' para Comey -As reivindicações dos cidadãos foram feitas um dia depois de o Senado americano aprovar novas sanções contra a Rússia, uma decisão que Putin criticou e que é uma amostra, segundo ele, da "política de contenção" de Washington em relação a Moscou.

"Todas as vezes em que nossos sócios no mundo sentiram que a Rússia era um concorrente importante, adotaram restrições, com diferentes pretextos", analisou.

Putin, no entanto, solicitou a Washington que coopere com a Rússia nos principais temas internacionais, assinalando que os Estados Unidos "não são nosso inimigo".

Ao ser perguntado sobre o ex-diretor do FBI James Comey, que Donald Trump demitiu em meio a um escândalo sobre a suposta interferência do Kremlin na campanha para as eleições presidenciais americanas, Putin respondeu brincando, e comparou Comey a Edward Snowden, refugiado na Rússia após suas revelações sobre a vigilância da Agência de Segurança Nacional (NSA) americana.

"Se forem abertos processos judiciais contra ele, estamos dispostos a lhe oferecer asilo político na Rússia", disse, classificando o depoimento de Comey ao Senado americano de "estranho".

Além disso, o presidente russo citou pela primeira vez seus netos em público, e disse desejar que eles vivam "com normalidade".

Em entrevista coletiva após a sessão de perguntas e respostas, Putin acusou a rede BBC de "fazer propaganda" do opositor russo Alexei Navalny, preso com simpatizantes após ter convocado manifestações não autorizadas na última segunda-feira.

Uma jornalista da rede havia perguntado ao presidente se ele via Navalny como seu principal opositor.

Putin estimou que organizar "atos de protesto de acordo com os procedimentos democráticos constitui uma nova forma de alertar o poder em qualquer país, incluindo a Rússia, do ponto de vista das pessoas que não estão de acordo com as autoridades".

"Mas estas manifestações têm que acontecer dentro da lei. Uma coisa é organizar manifestações, outra é usá-las como instrumento de provocação", disse.

bur-pop/gmo/jvb/mb/lb

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