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Inflação dos EUA não decola e Fed continua à espera

Washington, 11 Ago 2017 (AFP) - A inflação tem tido dificuldade de decolar nos Estados Unidos, e isso afeta a estratégia de restrição monetária do Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano), mas indiretamente beneficia a política econômica do presidente Donald Trump.

O índice de preços ao consumidor (CPI) avançou 0,1% em julho, uma leve alta em relação ao mês anterior, quando ficou estagnado, mas abaixo da expectativa da maioria dos economistas, que anteciparam uma progressão de 0,2%.

Desde maio, o índice ficou abaixo dos 2%, nível considerada o mínimo necessário para o Fed aumentar as taxas. "Eu espero que os números da inflação mostrem um pouco mais de pressão para cima do que vimos nos últimos quatro meses", tinha admitido na quinta-feira o presidente do braço americano do Fed, William Dudley.

Os dados publicados nesta sexa-feira não contemplaram suas esperanças. Em um ano, o IPC acumula alta de 1,7% em julho, ante 1,6% em junho.

Alguns especialistas apontam que a fraca alta no mês passado pode ser atribuída a descontos no setor hoteleiro que não devem durar. "Isso não se encaixa com o aumento das taxas de ocupação de hotéis, e devemos esperar uma forte recuperação em agosto", destaca Ian Shepherdson da Pantheon Macroeconomics.

Para John Bohnaker do IHS Markit, contudo, "a inflação é moderada em todos setores. Ele acredita que, mesmo com o índice bem abaixo dos 2% almejados pelo Fed, "a maioria dos membros do comitê monetário vão dar mais peso aos números recentes de desemprego e à recuperação econômica, e vão manter seu objetivo de normalização gradual da política monetária".

O desemprego caiu em julho a 4,3%, seu nível mais baixo em 16 anos, e o PIB deu sinais de recuperação a 2,6% anuais no segundo trimestre, após 1,2% no primeiro.

O Fed já reduziu duas vezes suas taxas de juros nesse ano, mas não alterou a faixa de 1% a 1,25% após a última reunião no meio de julho. As próximas discussões acontecem em meados de setembro, começo de novembro e fim de dezembro.

Considerando o índice a prazo nas taxas do Fed, os dados divulgados nesta sexta praticamente eliminam a possibilidade de uma alta em setembro e diminuem a chance de um aperto em novembro. Paradoxalmente, as chances de um avanço em dezembro aumentaram.

A presidente do Fed, Janet Yellen, outras armas à sua disposição para restringir indiretamente a política monetária. A principal delas é se desfazer dos 4,5 bilhões de dólares em títulos públicos acumulados desde 2009.

"Estimamos que eles (o comitê monetário) vão se concentrar sobre a redução do balanço em setembro e vão retomar uma nova alta em dezembro", estima Bohnaker.

- Poder de compra -Por outro lado, os juros estagnados e o dólar em baixa beneficiaram os negócios de Trump.

O dólar, que tinha se recuperado nos últimos dias, voltou a cair nesta sexta após o anúncio do índice inflacionário. Isso estimula as exportações, já que os produtos americanos ficam mais competitivos, e desencoraja as importações. O presidente americano estabeleceu que a redução do déficit comercial é uma de suas prioridades.

Diante de um poder de compra baixo, graças à estagnação salarial, a inflação baixa beneficia também os consumidores, aponta o economista independente Joël Naroff. "O Fed quer que a inflação engrene, mas isso não será bom para as famílias", destacou ele.

O presidente americano já deixou bem clara sua preferência pelas taxas de juros baixas - e comunicou isso a Yellen, cujo mandado acaba em fevereiro, mas pode ser estendido por Trump.

"Eu adoraria ver as taxas de juros continuarem baixas. Historicamente, é alguém que foi a favor das taxas baixas", destacou Trump, em referência a Yellen, no fim de julho.

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