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Reforma fiscal vai estimular economia dos EUA mais que o esperado, diz Fed

21/02/2018 17h33

Washington, 21 Fev 2018 (AFP) - Integrantes do Comitê de Política Monetária (FOMC) do Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano) acreditam que a recente reforma tributária pode estimular a economia mais do que o previsto em curto prazo, segundo as minutas divulgadas nesta quarta-feira (21).

Isso significa que novas altas das taxas de juros devem ser necessárias, de acordo com os registros da reunião de 30 e 31 de janeiro.

Contudo, as minutas também apontaram para uma divisão do FOMC. Alguns oficiais acreditam que o banco central pode ser paciente para aumentar os juros.

O Fed não aumentou a taxa de juros de referência na reunião do mês passado, mas indicou esperar três altas neste ano. Porém, isso aconteceu antes da divulgação dos dados vigorosos de emprego em janeiro, levando os mercados a despencarem com medo de altas mais rápidas do Fed, para evitar a inflação. Muitos economistas agora esperam quatro reajustes para cima em 2018.

Apesar das expectativas por um embalo econômico com a reforma fiscal de dezembro, as minutas destacam que o impacto dela na economia continua incerto.

Membros do FOMC destacaram os cortes de impostos e o melhor cenário econômico global como fatores que apoiam o crescimento americano neste ano, que deve ser mais forte do que o previsto antes.

Alguns membros notaram que "os efeitos das recentes mudanças tributárias - embora ainda incertos - podem ser maiores no médio prazo do que pensado anteriormente", segundo as atas da reunião.

Como resultado, o "cenário melhor para o crescimento econômico ampliou a probabilidade de que futuros avanços graduais ascendentes da política sejam apropriados".

- Paciência? -O uso do termo "futuros" foi alvo de intensos debates entre economistas.

As minutas explicam que os tomadores de decisões usaram o termo de propósito para "atualizar" sua descrição do caminho provável da taxa utilizada para definir todos os tipos de empréstimos.

O primeiro aumento da taxa no ano é esperado para a reunião FOMC de março, que será a primeira liderada pelo novo presidente do Fed, Jerome Powell, seguida por sua primeira coletiva de imprensa.

No entanto, "alguns participantes" alertaram o comitê de que a inflação, persistentemente baixa no ano passado, apesar do crescimento econômico sólido e da queda do desemprego, poderia continuar a não atingir a meta de 2% do Fed.

Eles notaram a ausência de "pressões significativas de salário ou inflação" e disseram que o banco central "poderia se dar ao luxo de ser paciente para decidir se aumentaria" a taxa de juros de referência.

Isso "permitiria que os participantes avaliassem se a informação recebida sobre a inflação mostrou estar firme no caminho do objetivo do comitê".

Vários também observaram a "incerteza considerável" sobre o impacto provável que os cortes de impostos das empresas teriam no investimento e previram que qualquer aumento salarial provavelmente viria na forma de bônus únicos.

As empresas "podem estar apenas começando a determinar como elas podem alocar suas economias de impostos entre investimento, compensações a trabalhadores, fusões e aquisições, retornos aos acionistas, entre outros usos", disseram.

De fato, várias empresas anunciaram planos para pagar bônus aos funcionários, citando a inesperada redução de impostos, mas poucas anunciaram aumentos salariais.

Entretanto, vários membros do Fed observaram que a força contínua na contratação "provavelmente se traduzirá em aumentos salariais mais rápidos em algum momento".

O relatório do Departamento de Trabalho de janeiro incluiu um recorde em 10 anos dos ganhos salariais, após meses de aumentos mornos.