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Fitch reduz nota do Brasil após fracasso da reforma da Previdência

Rio de Janeiro, 23 Fev 2018 (AFP) - A agência de classificação de risco financeiro Fitch reduziu nesta sexta-feira a nota de risco soberano do Brasil, de BB a BB- com perspectiva estável, depois do fracasso das negociações para a reforma da Previdência, considerada essencial para sanar os déficits públicos.

Esta é a segunda redução de classificação da dívida brasileira recente. Em janeiro, a S&P Global Ratings reduziu para BB-, citando motivos similares.

A Bovespa, que abriu em alta, mudou de direção após o anúncio, e caía 0,11% nesta tarde.

"A redução [da nota] do Brasil se deve a seus persistentes e amplos déficits, ao elevado e crescente peso da dívida do governo e ao fracasso para legislar com reformas que melhorem os resultados das finanças públicas", explicou a Fitch em um comunicado.

A agência questiona a viabilidade da reforma, a poucos meses das eleições presidenciais e legislativas de outubro, que ainda não têm nenhum candidato do agrado do mercado.

Esse calendário "significa que a reforma da Previdência será abandonada até depois das eleições e há incerteza sobre a capacidade do próximo governo de garantir sua aprovação de forma oportuna", acrescenta.

O presidente Michel Temer conseguiu impor medidas de ajuste econômico que agradaram os mercados, como o congelamento dos gastos públicos durante 20 anos e a flexibilização da legislação trabalhista.

Contudo, o governo federal não conseguiu alcançar a maioria de votos suficiente para aprovar a reforma da Previdência no Congresso.

A Fitch destaca que o governo cumpriu suas metas de déficit fiscal primário (antes do pagamento de juros da dívida) em 2017 e que o déficit geral do governo representou 8% do PIB nacional. Contudo, em 2018 e 2019 suas previsões apontam para um déficit de "pouco mais de 7%", enquanto a média de outros países com nota BB é de 3%.

Já dívida pública do Brasil chegou a 74% do PIB em 2017 e deve alcançar 80% em 2019, enquanto nos países com classificação BB a média é de 45% do PIB, aponta.

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