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Trump pressiona UE para que reduza barreiras a produtos dos EUA

Washington, 11 Mar 2018 (AFP) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu neste sábado a União Europeia (UE) que reduza as barreiras comerciais aos produtos americanos, se quiser ficar isenta das tarifas que seu governo acaba de impor sobre as importações de aço e alumínio.

Trump lançou esta advertência no Twitter horas depois de uma reunião infrutífera sobre o tema em Bruxelas entre o representante americano do Comércio, Robert Lighthizer, e a Comissão Europeia.

"A União Europeia, países maravilhosos que tratam muito mal os Estados Unidos em termos de comércio, está se queixando das tarifas sobre o aço e o alumínio", tuitou Trump.

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"Se eles baixarem suas horríveis barreiras e tarifas sobre os produtos americanos que entram (no bloco), nós também baixaremos as nossas. Grande déficit. Se não, imporemos taxas a carros, etc. É JUSTO!", acrescentou.

Mais tarde, durante um comício na Pensilvânia, importante produtor de aço, Trump defendeu sua decisão e a atribuiu à qualidade do aço importado.

"Não é um bom aço, vocês sabem ao qu me refiro. É uma porcaria", disse.

Também afirmou que sua decisão ajudará o desenvolvimento econômico desta região. "Muitas siderúrgicas estão abrindo agora pelo que fiz. O aço está de volta, o alumínio está de volta", disse.

Os europeus expressaram no sábado sua decepção a Lighthizer, que viajou a Bruxelas para uma reunião já prevista com a comissária europeia do ramo, Cecilia  Malmstrom, e o ministro japonês da Economia, Hiroshige  Seko.

Assim como a UE, o Japão exige isenção das taxas anunciadas na última quinta-feira por Trump, de 25% sobre a importação de aço e 10% sobre a de alumínio. As tarifas não serão aplicadas inicialmente a Canadá e México, e Trump também incluiu a Austrália na lista dos possíveis países isentos.

"Foi uma discussão franca, mas não obtivemos clareza imediata sobre o procedimento para ficarmos isentos, e as negociações continuarão na próxima semana", anunciou Malmstrom.

Somos um aliado próximo e um sócio comercial dos Estados Unidos, e, como tal, a União Europeia deve ser excluída das medidas anunciadas pelo presidente Trump.

Cecilia Malmstrom

O encontro também abordou a cooperação entre os três parceiros para lutar contra o dumping e os problemas envolvendo a sobrecapacidade no setor siderúrgico. A delegação europeia considerou que houve bons resultados nesta parte da reunião, e espera que Trump leve em conta seus esforços.

Embora nem europeus, nem japoneses esperassem uma decisão hoje, quiseram aproveitar para pressionar os americanos.

O presidente francês, Emmanuel  Macron, advertiu Trump nesta sexta-feira sobre as consequências de sua decisão.

"Tais medidas contra países aliados, que respeitam as regras do comércio mundial, não seriam eficazes para lutar contra as práticas desleais", afirmou.

A Europa responderá de forma clara e proporcional a qualquer prática infundada e contrária às regras do comércio mundial.

Emmanuel Macron

Contramedidas europeias 

A UE prepara represálias caso Trump mantenha sua intenção de sancionar seus produtos siderúrgicos.

A mais imediata, que seria aplicável em três meses, consistiria em impor fortes tarifas a alguns produtos muito representativos dos Estados Unidos, como as calças jeans, as motos de grande cilindrada e a manteiga de amendoim.

A estratégia do Executivo da UE também passa por adotar medidas de salvaguarda, para proteger a indústria europeia de um eventual desvio das exportações de terceiros países apontados por Washington, e por uma demanda na Organização Mundial do Comércio (OMC).

A Europa exportou 5,3 bilhões de euros em aço e 1,1 bilhão de euros em alumínio para os Estados Unidos em 2017.

"Não podemos aceitar que a administração americana divida a UE", advertiu o vice-presidente da Comissão Europeia, Jyrki Katainen, apelando explicitamente aos britânicos, em plenas negociações do Brexit.

Katainen lembrou que o "Reino Unido continua sendo membro da União Europeia e que isso lhe impõe obrigações".

Aliados e rivais dos Estados Unidos criticam desde quinta-feira uma guinada protecionista de Washington e um ataque ao livre comércio.

A Alemanha, um dos maiores exportadores mundiais e apontada diretamente por Trump, foi especialmente dura, denunciando uma "afronta" aos aliados de Washington.

O ministério chinês do Comércio denunciou um "abuso" e o chefe de sua diplomacia, Wang Yi, prometeu uma "resposta apropriada" em caso de guerra comercial com Washington.

China, um país que está muito longe de ser o maior produtor mundial de aço, é mencionado habitualmente como origem da sobrecapacidade do setor, pelas imensas subvenções que concede.

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